A descrença e a falência do sistema – Suely Braga

Suely Braga

A falência do sistema político e a onda da “antipolítica” que se ergueu no país, embala o discurso da mídia e das elites. Há uma descrença no sistema político. Descrença que se traduz como antipolítica, como negação da política, insatisfação generalizada do povo com a política. A insatisfação das pessoas com a política infelizmente não tem se traduzido em mobilizações para o aprofundamento da democracia. Tem sido canalizada por caminhos regressivos.

Temos a antipolítica de terno, de gestores empresários, que se apresentam, cuja expressão é o João Dória. A antipolítica já é um fenômeno internacional. Há o Macri, o Micron, o TRump.

A antipolítica também se traduz no Brasil como antipolítica de farda, com o fenômeno Bolsonaro. A antipolítica de toga com os salvadores da pátria do judiciário, que cada vez mais age como uma facção política. Isso representa a ameaça de uma transição política conservadora no país. O que está em jogo é a transição. Temos o risco de ocorrerem fenômenos imprevistos como um Bolsonaro e outros.

Que as pessoas neguem a política já é um fenômeno que vem de longo tempo. O brasileiro não compreende, que tudo o que acontece no país e com cada um, passa pela mão dos políticos e dos maus políticos. Por isso, é preciso afastar o joio do trigo, isto é, escolher aqueles políticos que defendem o interesse do povo.

Temos um problema real de um Estado totalmente aberto aos grandes interesses econômicos e fechado à participação popular. Vem de uma compreensão tacanha de democracia, que é ir de quatro em quatro ano lá apertar o botão e não exigir dos políticos, que defendam o bem comum. Muitos até esquecem para quem deram seu voto. Precisamos exigir não benefícios pessoais, mas o bem da população.

Papa Francisco afirma que” todo cristão deve participar da política, porque a política é a Ciência do Bem Comum”. Participar para mudar, tirar do poder esta quadrilha que está levando o Brasil ao fundo do poço.

Comentários

Comentários