“A esperança é o sonho do homem acordado” – Sergio Agra

Com o pensamento em Aristóteles

Chegamos ao final de mais um ano cristão. Haverá – em que pese lei em vigor desde o dia 6 de novembro último, que proíbe a queima de fogos de artifício com ruído acima de cem decibéis em logradouros públicos no território gaúcho – o espocar de bombas, rojões, foguetes e outros fogos explosivos durante todo o dia 31 de dezembro e a queima dos fogos de artifícios que ainda encantam os olhos ao cruzarmos à meia-noite.

Muitos começaram a “encher a cara” desde as primeiras horas da noite da última sexta-feira em nome da alegria que os festejos que se avizinham ensejam.

Alguém, no entanto, já se perguntou a verdadeira razão e o porquê do foguetório, da dissimulada felicidade que os olhos não conseguem homiziar, da música tocada a todo volume nas casas, nas calçadas e nas praças? Pelo novo ano que está preste a se iniciar, muitos dirão.

Não! Não é pela ilusão de que no próximo ano tudo há de mudar para melhor, de que os encargos do cartão de crédito e do cheque especial ilusoriamente continuarão sua marcha descendente. Banqueiros jamais pregam pregos sem estopa! O mercado corre o risco de acusar o golpe ante a sinuosa infiltração da China, não bastasse o contrabando de produtos piratas. A violência urbana, o latrocínio e o feminicídio continuarão sendo o prato principal servido no almoço da “Maria Tragédia” Ranzolin. O cinismo e a desfaçatez prosseguirão impregnados nas faces de William Bonner e Renata Vasconcellos. Os sicários e corruptos políticos multiplicarão os sabores no rodízio de pizza. O TST o saco de risadas e do deboche de seus togados.

Sísifo, um salteador, foi condenado pelos deuses a incessantemente rolar uma rocha até o topo de uma montanha, de onde a pedra cairia de volta devido ao seu próprio peso. Os deuses pensaram, e com alguma razão, que não há punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança. Porém, Sísifo, tenazmente, desce a montanha até o sopé, retoma a pedra e torna a rolá-la de volta ao topo.

Ao encontro dos ponteiros na meia-noite de cada 31 de dezembro celebramos a conquista do topo onde colocamos a pedra que individualmente nos fora dada carregar. E, ali, festejaremos e brindaremos nossa vitória sobre as dores da alma e as feridas abertas em nossos corpos, as mãos dessangradas, as lágrimas vertidas, os cansaços de cada jornada e os sofreres que a subida nos causou. Inobstante sabermos que a pedra uma vez mais há de rolar montanha abaixo, teremos a capacidade de descer e começar tudo outra vez. Tal Sísifos, carregamos por uma vida inteira o compromisso do eterno recomeço.

Porém, despertos que estamos a esperança brilha no horizonte do amanhecer primeiro…

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