A força da lei e não a lei da força – Por Jayme José de Oliveira

Jayme José de Oliveira

“Que o respeito às leis seja transmitido por todas as mães norte-americanas com um bebê balbuciante nos braços. Que seja ensinado nas escolas, seminários e faculdades. Que seja mencionado em cartilhas e almanaques. Que seja pregado nos púlpitos, proclamado nas tribunas legislativas e reforçado nos tribunais. Em suma, que se torne a religião política da nação”. (Abraham Lincoln – presidente dos Estados Unidos)

Estas palavras pronunciadas pelo presidente Lincoln não perderam sua importância e oportunidade nos dias em que vivemos. Muito ao contrário, são cada vez mais significativas se quisermos atravessar incólumes os mares encapelados que se antepõem ao futuro que pretendemos legar aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos.

Abre-se uma réstia luminosa quando autoridades se manifestam como o feza presidente Dilma na época em que presidia o Brasil, mesmo enfrentando possíveis incompreensões, condenando os excessos praticados por vândalos nas ruas, corruptos e corruptores nas esferas públicas e privadas:

-“ Não é possível que os protestos democráticos sejam desvirtuados por quem não tem respeito por vidas humanas. A liberdade de manifestação é um princípio fundamental da democracia e jamais pode ser usado para matar, ferir, agredir e ameaçar nem depredar patrimônio público ou privado”. (Correio do Povo, 20/02/2.014)

Esta réstia diminui seu esplendor quando nos deparamos com declarações de pessoas mesmo de menor expressão, porém com influência na opinião pública que afirmam:

-“ Vemos com bastante apreensão o uso da força pela polícia nessas ocasiões, atingindo inclusive jornalistas, agindo arbitrariamente contra estudantes e outros manifestantes. Esse é, sim, motivo de nossas preocupações dentro do relatório”. (Maria Laura Canineu, diretora do HumanRightWatch (RHW) – Zero Hora, 25/01/2.014)

-“ E muitas vezes cabe a nós, do Executivo, a tarefa inglória e ingrata de cumprir uma ordem com a qual podemos não estar de acordo, mas que como homens públicos, temos de cumprir”. (Gilberto Carvalho, Ministro Secretário Geral da Presidência da República –  19/02/2.014)

A esperança ameaça desaparecer quando turbas ensandecidas lideradas porblack-blocs ocupam as vias públicas, enfrentam as forças de contenção e vandalizam o que encontram pela frente, sejam estabelecimentos comerciais, agências bancárias, prédios públicos ou residenciais. Inicia nesse momento o reino da anomia, infelizmente sem as contramedidas reclamadas pela população ordeira e pacata.

A ação do presidente, que atualmente se encontra tão depauperado, seria a força coercitiva (que seu cargo outorga) necessária para impor o império da lei apregoado há quase dois séculos pelo presidente americano. Podemos ter esperança que haja vontade política e PODER para que seja imposta a um país já anestesiado por anos de leniência? Olhando pelo espelho retrovisor vislumbramos negociatas e o famigerado toma-lá-dá-cá que se institucionalizou em todos os escalões. Desde o mais humilde cidadão, quando aplica uma pequena trapaça, até os ilustres pró-homens que, em vez de se situarem como símbolos de austeridade, probidade e civismo, usam o poder que eventualmente possuem para se locupletarem. Não diferencio corruptos de corruptores, ambos unidos por interesses espúrios. São irmãos siameses que nenhum cirurgião, por mais hábil que seja, poderá separar. INFELIZMENTE.

“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. (Rui Barbosa)

 

Jayme José de Oliveira cdjaymejo@gmail.com Cirurgião-dentista aposentado

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