A funesta pirâmide – Jayme José de Oliveira

Com o advento dos problemas financeiros e econômicos que acometem o Brasil como nação, as empresas, muitas à beira da insolvência, os cidadãos premidos pela inflação e, desgraçadamente, o espectro do desemprego se reapresentando assustadoramente, convém lembrar os conselhos que economistas apregoam como tábua de salvação: NÃO GASTAR MAIS DO QUE DISPOMOS. Cheque especial, cartões de crédito e financiamentos bancários são armadilhas fatais que, depois de nelas adentrarmos, a saída se configura uma tarefa por vezes impossível.

VALE PARA PESSOAS, EMPRESAS E ÓRGÃOS PÚBLICOS, INCLUSIVE O GOVERNO FEDERAL.

Enquanto dívidas individuais nos embrenham num descalabro familiar, empresas sofrem processos falimentares, o governo federal não está nem aí para projetos de economia. Os gastos continuam extrapolando, a governabilidade mantida através da farta distribuição de benesses (cargos, verbas e financiamentos a juros subsidiados pelo BNDES) catapultando a dívida até... não podemos imaginar, temer, com certeza. Prefeituras e governos estaduais ao atrasarem pagamentos têm o retorno de suas cotas retido pelo Ministério da Fazenda enquanto o governo federal recorre a pedaladas e leis emergenciais (aprovadas pelo Congresso) que o eximem de cumprir compromissos através de manobras de “contabilidade criativa”. Fossem empregados esses artifícios pelos demais setores, seriam considerados “pirâmides” que apenas se sustentam enquanto mais participantes ou verbas (Letras do Tesouro, aporte de recursos do exterior, taxas, impostos) afluírem. Mas um dia a realidade bate à porta e a cornucópia esgota.

Ao contrário das cartas, os números não mentem jamais. Na transição dos governos FHC-Lula a Dívida Pública do Brasil (interna+externa) perfazia um montante de R$ 852 bilhões. Ultrapassará a marca de R$ 3 trilhões ao final de 2.016 segundo o Plano Anual de Financiamento (PAF). Divulgado pelo Tesouro Nacional, o endividamento deverá encerrar o ano de 2.016 entre R$ 3,1 trilhões e R$ 3,3 trilhões.

Considerando a taxa Selic, 10,25%, base para o cálculo da maior parcela, temos aproximadamente R$ 900 milhões/dia de juros.

COMO PAGAR? COM O CRESCIMENTO DA DÍVIDA? ATÉ QUANDO?

Considerando que os R$ 852 bilhões foram acumulados em 180 anos – desde a proclamação da Independência em 1.822, passando por duas guerras mundiais, a construção de Brasília e uma hiperinflaçãoque alcançou o paroxismo em 1.993: 2.708,39% (IGP-DI da FGV), em escassos 14 anos a dívidaquase quadruplicou.

Por mais otimistas que sejamos, temos que convir, levará muito tempo para atingirmos uma situação de tranquilidade, isso se invertermos a rota da economia, por mais penoso que seja esse caminho. É hora de TODOS engajarmos de corpo e alma na tarefa, independente de cores políticas e interesses eleitoreiros.

DO CONTRÁRIO... MIREM A GRÉCIA.

Jayme José de Oliveira cdjaymejo@gmail.com Cirurgião-dentista aposentado

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