Acelerando a cura – Jayme José de Oliveira

 

PONTO E CONTRAPONTO– por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

ACELERANDO A CURA

Pode-se dizer que as doenças são contemporâneas ao surgimento dos seres vivos. O homo sapiens, ao contrário dos demais, sempre procurou conhecer as causas e os efeitos para sobreviver com saúde.

Inicialmente atribuiu-se aos deuses, que as infligiam como castigo pelos pecados cometidos, individual ou coletivamente. Pajés, feiticeiros, sacerdotes tentavam exorcizar com orações, sacrifícios ou qualquer alternativa possível.

Paulatinamente, com a evolução dos conhecimentos focou-se na natureza factual a origem e, após conhecidas as causas, descobrir os procedimentos para debelar as consequências. Surgiu o primeiro arremedo de ciência médica, ainda vinculada ao misticismo. Isso perdurou por muitos séculos e ainda guarda resquícios na atualidade. Sacerdotes, místicos, curandeiros e charlatães, cada qual em seu pedestal. A ciência médica admite a influência da FÉ no decorrer do tratamento, denomina de fatores psicossomáticos e lhes atribui valores importantes.

Um salto gigantesco ocorreu quando IgnazSemmelweis, um médico húngaro pioneiro dos procedimentos antissépticos, Louis Pasteur, criador da vacina contra a raiva e Joseph Lister, que compartilhava os pensamentos de Pasteur e os aplicou nos procedimentos cirúrgicos usando ácido fênico. Em 1976, Robert Koch finalmente conseguiu comprovar a correlação micróbios-infecções, abriu-se o portal para a moderna medicina que nunca mais parou de se aperfeiçoar.

Duas técnicas se revelaram relevantes para prevenir, controlar e debelar as doenças provocadas por micro-organismos: vacinas para prevenir, soros, drogas e antibióticos –estes com primordial importância – para debelar as infecções, depois de instaladas.

No início o tempo que mediava entre o aparecimento de uma doença e sua cura era medido em séculos, diminuiu para anos e continua o processo de abreviar.  Com o avanço da técnica e numa aceleração vertiginosa chegamos ao estágio atual: as primeiras tentativas de comprovação em humanos da eficácia esperada se reduz a 4 meses, como podemos verificar no quadro demonstrativo.

 As vacinas garantem uma imunidade que pode se estender por um período prolongado – 20 anos para a BCG (tuberculose, tempo suficiente para o organismo criar uma defesa eficiente) -, até a necessidade de revalidação atual (H1N1, gripe)-. Para o HIV (AIDS) ainda não se conseguiu vacina, apenas tratamento que permite uma vida ativa e relativamente normal.

Os micro-organismos não reagem de maneira similar e o Herpes não tem cura definitiva, permanece em latência por toda a vida da pessoa aguardando uma baixa imunidade para reaparecer ciclicamente.

Eurico Arruda, pesquisador brasileiro, professor titular de virologia da USP, alerta para a possibilidade de o vírus do COVID-19 permanecer por tempo indeterminado no organismo de algumas pessoas esperando uma fragilidade para reativar, podendo inclusive ser transmitido mesmo com uma ausência de sintomas. É uma hipótese ruim, teríamos mais uma doença incurável como o herpes.

ESTA É A MAIS PREOCUPANTE AMEAÇA DO COVID-19.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

Comentários

Comentários