As listas de Schindler e de Janot – Jayme José de Oliveira

Jayme José de Oliveira

“Poder é quando temos todas as justificativas para matar e não matamos”.

”Eu odiava a brutalidade, o sadismo, a insanidade dos nazistas. Eu apenas não podia ficar ali vendo eles destruírem um povo inteiro sem fazer nada”.

“Eu fiz o que pude fazer, eu fiz o que tinha de fazer, eu fiz o que minha consciência disse para fazer, apenas isso, nada mais”. (Oskar Schindler, 1908-1974)

As duas listas, de Schindler e de Janot, têm em comum o contraditório e similitudes. Ambas abordam autoridades nem tão imaculadas e indefesos necessitados de apoio para se livrarem das agruras imposta pelos sátrapas de plantão.

Se os 1.100 judeus, vítimas do nazismo, tiveram em Oskar Schindler, um candidato a sátrapa que não teve “estômago” para digerir tantas e tão cruéis atrocidades, nós, até o momento clamamos por um Schindler tupiniquim. VIRÁ???

Rodrigo Janot tem se esmerado em desnudar a máscara dos nossos sátrapas. Garimpa fatos escabrosos em meio a milhares de folhas, o conteúdo de delações premiadas. É uma avalanche que procura soterrar acusações que o público não apenas intui, tem sobejos motivos para conhecer e execrar. Tantos malfeitos apareceram num mar, não de lama, de dinheiro mal havido.

Juízes de primeira instância como Moro e Bretas têm se esmerado em analisar, julgar e condenar personalidades que só merecem nosso desprezo. E não são figuras de segundo escalão, não! Ex-governador, ex-presidente da Câmara de Deputados, ex-senador, ex-presidentes, dirigentes de ponta de empreiteiras, ninguém se sente seguro ao enfrentar esses juízes intimoratos. Não é por menos que, desesperadamente, procuram o “atalho” (???) do STF onde os processos se eternizam  e, no mais das vezes, as penas impostas são pífias, ridículas. A única exceção, o publicitário e empresário Marcos Valério está pagando alto – muitos anos de prisão – por ter confiado que seu silêncio em acobertar cúmplices mereceria o mesmo escudo e blindagem que protegeu malfeitores com proteção partidária. Ledo engano... era e continua sendo um “estranho no ninho”.

Não procede a alegação de petistas que há direcionamento partidário. Estão presos ex-governador (PMDB), ex-presidente da Câmara de Deputados (PMDB), condenados dos mais diversos partidos e, na última leva, os mais altos próceres dos ministérios do atual governo. O próprio presidente em exercício, Michel Temer, está no índex. Podemos lembrar Benjamim Franklin: “Quem dorme com cães, acordas com pulgas”. Haja inseticida!!!

Agora, para amenizar e nos lembrar que nem tudo são patranhas e, mesmo ricos podem ter consciência e arriscar não apenas seu patrimônio como a própria vida para dar uma contribuição altruísta: “A HISTÓRIA DA LISTA DE SCHINDLER”.

Oskar Schindler, um antigo militar polonês, bem relacionado com a SS,progride rapidamente nos negócios ao se apropriar de uma fábrica de panelas após o decreto que proibia aos judeus serem proprietários de negócios.

Schindler se valeu de sua fortuna crescente para "comprar" membros da Gestapo e dos altos escalões nazistas com bebida, mulheres e produtos do mercado negro. Seu afiado senso de oportunidade o levou a contratar um contador judeu – mais barato do que um profissional polonês.

Ele é Itzhak Stern, a mente por trás do que seria o começo de tudo. Com o argumento de que os trabalhadores judeus representavam uma lucratividade maior para o negócio ele convenceu Schindler a fazer destes, 100% da força de trabalho empregada em sua fábrica. Com o tempo, famílias judias passaram a trocar suas reservas financeiras por postos de trabalho (que os mantinha longe dos campos de concentração), permitindo que os negócios crescessem ainda mais.

A guerra avançou e Hitler lançou a campanha de "Solução Final" que acabaria definitivamente com os guetos, transferindo toda a população judia para os campos de concentração. Amon Goeth foi o comandante de um desses campos e um dos amigos mais próximos que Schindler teve entre os oficiais da Gestapo. Quando os trabalhadores de sua fábrica começaram a ser transportados para o campo de Plaszóvia Schindler convenceu Goeth a colocá-los num ambiente separado dos outros, um lugar onde ficassem mais protegidos.

Numa determinada noite, passeando perto de um dos parques de Cracóvia, Schindler assistiu à invasão do gueto da cidade. Dias mais tarde ele acompanhou uma ida de Goeth ao campo de concentração e assistiu às instruções que este recebeu para cremar os cadáveres dos mortos no massacre do gueto.

Schindler e o contador passaram a noite a digitar os nomes das famílias que seriam transportadas para a Tchecoslováquia em vez de irem para Auschwitz. Para cada um dos 1.100 nomes que comporiam a lista, Schindler viria a pagar uma boa soma de dinheiro a Goeth, que tomaria as medidas necessárias para o que o desvio de rota fosse bem sucedido.

Schindler fundou a fábrica de utensílios de cozinha Emalia para enriquecer com a guerra. Nela empregou entre 1939 e 1944 muitas centenas de judeus. Eram a sua força de trabalho, empregados especializados, mesmo que não o fossem, não deixavam de ser escravos. Pensou, durante algum tempo, que bastava aos seus judeus e aos outros manterem-se saudáveis para chegarem ao fim da guerra vivos. Percebeu que não, depois percebeu que iam morrer todos e usou o que ganhara com eles para salvar alguns. Mais de mil. Schindler escreveu os seus nomes numa lista e deu-lhes vida.

Jayme José de Oliveira cdjaymejo@gmail.com Cirurgião-dentista aposentado

Comentários

Comentários