Assassinatos – Jayme José de Oliveira

Jayme José de Oliveira

A vereadora do PSOL-RJ, Marielle Franco, brutalmente assassinada causa espanto, horror e inconformidade. Lutava contra a impunidade de assassinos travestidos de justiceiros. Descubram-se os executores e, principalmente os mandantes, são mais responsáveis que os esbirros que acionaram os gatilhos.

Um caso similar ocorreu em 8 de agosto de 1990. Por volta das 11,30 horas, na esquina da Av. Borges de Medeiros com Andradas, em Porto Alegre, o soldado Valdeci de Abreu Lopes, então com 27 anos, foi degolado a golpe de foice por integrantes do MST que provocavam arruaças e vandalismos desde a Praça da Matriz. Após o ato os assassinos se homiziaram na Prefeitura onde, segundo o vereador João Dib, se esconderam colonos, entre os quais os assassinos, onde “cortaram os cabelos e trocaram de roupas” para evitar a identificação pela Brigada Militar quando saíssem do prédio, que estava cercado pela polícia.

Celso Daniel, aos cinquenta anos de idade, quando ocupava o cargo de prefeito de Santo André pela terceira vez, foi sequestrado na noite de 18 de janeiro de 2002, quando saía de uma churrascaria localizada na região dos Jardins, em São Paulo. Segundo a imprensa, o prefeito estava num Mitsubishi Pajero blindado, na companhia do empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido também como o “Sombra”. O carro teria sido perseguido por outros três veículos: um Santana, um Tempra e uma Blazer.

Na rua Antônio Bezerra, perto do número 393, no bairro do Sacomã, Zona Sul da capital, os criminosos fecharam o carro do prefeito. Dispararam contra os pneus e vidros traseiro e dianteiro de seu carro. Gomes da Silva, que era o motorista, disse que na hora a trava e o câmbio da Pajero não funcionaram.Os bandidos armados então abriram a porta do carro, arrancaram o prefeito de lá e o levaram embora. Sérgio Gomes da Silva ficou no local e nada aconteceu com ele.

Na manhã de 20 de janeiro de 2002, domingo, o corpo do prefeito Celso Daniel, com onze tiros, foi encontrado na Estrada das Cachoeiras, no Bairro do Carmo, na altura do quilômetro 328 da rodovia Régis Bittencourt (BR-116), em Juquitiba.

Durante o julgamento, o promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho sustentou que o ex-prefeito foi morto por ter descoberto que o esquema de corrupção instalado na prefeitura estava sendo utilizado para enriquecimento pessoal. Segundo Carvalho, inicialmente o desvio de verbas era usado, com o conhecimento de Daniel, para abastecer o caixa 2 da campanha eleitoral do PT.Após o júri decidir pela condenação, o juiz Antônio Augusto Hristov estipulou pena de 24 anos de prisão para Ivan Rodrigues da Silva, 20 anos para José Edison da Silva e 18 anos para Rodolfo Rodrigues da Silva, que teve a pena atenuada por ser menor de 18 anos à época do crime.Uma série recursos e demandas judiciais ocorreram após esse julgamento e realimentam a trama que já rendeu livros e centenas de reportagens sobre o caso Celso Daniel.

Esperamos que não se repitam acobertamentos no caso da vereadora Marielle Franco e que os autores sejam punidos. Não podemos permitir a impunidade de facínoras, independente de sua identidade e posição.

No Rio de Janeiro agentes da lei são assassinados quase que diariamente. O subtenente Vanderlei Ribeiro, presidente da ASPRA (Associação de Praças da Polícia Militar e do Corpo deBombeiros) classifica de total vulnerabilidade a atual situação dos policiais. “A comunidade adere à determinação do tráfico e diz que a polícia só chega para importunar”.

Paulo Sborani, antropólogo, afirma: “quando você precisa da polícia você a quer do seu lado, quando não precisa quer o mais longe possível”.
Para o assessor dos direitos humanos da Anistia Internacional, Alexandre Ciconello, ”As declarações são irresponsáveis porque alimentam uma polarização, levando ao confronto, à guerra. Quando um policial é morto em serviço, de quem é a responsabilidade por ter colocado a vida desse profissional em risco? Quem tem que ser cobrado é o Estado”.

EUREKA! O Estado não deveria por a vida dos policiais em risco, não deveria ordenar o policiamento. Pelo mesmo raciocínio os pais são culpados pela morte dos filhos nas escolas, não deveriam manda-los estudar para evitar o risco. GENIAL!!!

É uma triste estatística que coloca 2017 entre um dos anos com maior número de policiais assassinados no Rio de Janeiro desde 2007. Foram 134 mortos entre janeiro e dezembro e 2018 nãoemite sinais que a situação seja diferente. “Não existe absolutamente nada que nos faça acreditar que teremos um ano 2018 melhor que 2017”. (Iris Silva Pereira, ex-comandante -geral da Polícia Militar do RS)

Pessoas comuns, sem qualquer identificação com a política e a repressão são assassinadas no Brasil. Em 2017 foram mais d 61.000, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número contabiliza latrocínios, homicídios e lesões seguidas de morte.

Em Porto Alegre, Cristine Fonseca Fagundes, de 44 anos, foi morta dentro do carro quando esperava o filho ao final da aula. Preso, o autor do dispor afirmou que “atirou sem querer”.

A médica Graziela Müller Leirias, de 32 anos, foi morta de forma parecida em um semáforo na Zona Norte. Os criminosos levaram o carro.

Um homem identificado como Fabiano Lemos foi executado dentro da recepção do Hospital São Lucas da PUC/RS.

Após 12 dias de angústia, o desaparecimento de Naiara Soares Gomes, de apenas 7 anos de idade teve um desfecho triste no dia 21/03/2018. A polícia Civil encontrou o corpo da criança às margens da Represa Faxinal, no distrito de Ana Rech, no município de Caxias do Sul. A polícia chegou ao local depois que o criminoso, cuja identidade não foi divulgada, confirmou que sequestrou, estuproumatou a menina indicando o local onde a deixou.

O pedófilo já havia estuprado outra menina, em 2017. Nesse caso foi liberada viva duas horas depois do ato lidibinoso.
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São dados parciais que comprovam a leniência com que são tratados crimes contra a vida em nosso país. Quando se clama por repressão mais severa, os eternos defensores da teoria que a criminalidade é fruto do contexto social sofrem pruridos de indignação e clamam por uma política de conscientização, diminuição das desigualdades, educação. Certo, isso traz resultados ao longo do tempo, 10-20 anos. E NESSE ÍNTERIM? Seguiremos assistindo passivamente o morticínio?

Jayme José de Oliveira

cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

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