Aujord’Hui Jesuis Parisen* – Sergio Agra

Sergio Agra

SERGIO AGRA – Intelectual não vai a praia. Intelectual bebe.

AUJORD’HUI JESUIS PARISEN*

(Texto em lembrança ao 1º aniversário do dia 07/04/2018)

MEU GURI: sei que AMIGO É PRA ESSAS COISAS, pra gente se encontrar na mesa de um bar, degustando um caviar e bebendo uísque escocês 24 anos – QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ – e botar conversa fora, comentando o último FOLHETIM da cabotina da Rede Globo. APESAR DE VOCÊ estar numa verdadeira RODA VIVA, vou ter que lhe confessar, nem que seja ATRÁS DA PORTA: você, o tão amado “Julinho da Adelaide”**, roubou UM PEDAÇO DE MIM e me traiu, nesta longa e tenebrosa noite em que o Brasil abomina as abjetas CARAVANAS de marginais que invadiram propriedade privada (por que, não?) como o tríplex de Guarujá; traiu o trabalhador honesto que exige dignidade no FUNERAL DO LAVRADOR, e jamais “daquele” que caiu feito um pacote bêbado na carceragem de Curitiba, jurando que era água o que continha a “marvada” garrafinha. CASUALMENTE a Manuela, ex-futura MOÇA DOS SONHOS, deu uma fungada no cangote e torceu o narizinho plastificado, causador da inveja da aloprada da Gleise, que não leva DESAFOROS pra casa, em DUETO com a “impichada”.

Você, que nos anos de chumbo da ditadura militar era tão parecido conosco, GENTE HUMILDE, que pulava fogueira em festas de São João e corria pra ver A BANDA passar, mandou tudo à merda, chutou o balde do PEDRO PEDREIRO, espantando um alegre SABIÁ que gorjeava à sombra de uma palmeira, provocando a (des)CONSTRUÇÃO de toda sua bela história. O QUE SERÁ? Os nervos estão Á FLOR DA TERRA? Afasta esse CÁLICE e me responda, firmemente, OLHOS NOS OLHOS, que poderes tem aquele demo, já não tão barbudo e cada vez mais mentiroso que aparece nesse RETRATO EM BRANCO E PRETO, com semblante de um Judas arrependido que estuprou, violentou e depenou GENI E O ZEPPELLIN, a Nação Brasileira, a Petrobrás, numa sórdida e escura NOITE DOS MASCARADOS, e tal indelével TATUAGEM encravou-se nos escaninhos do poder e dali não quer sair nem QUANDO O CARNAVAL CHEGAR. Será que, algum dia, tudo isso VAI PASSAR?

Naquela noite de sábado 7 de abril, JOÃO E MARIA, todas as MULHERES DE ATENAS, ANGÉLICA, TERESINHA, ANNA DE AMSTERDAM, BÁRBARA, BEATRIZ e mesmo JANUÁRIA, que da janela se penteava, desejando a cada brasileirinho, operário, honesto e trabalhador que por ali passasse – DEUS LHE PAGUE! –, porque quem “cobriu” o cachê para a compra do luxuoso apartamento em Paris do “Julinho da Adelaide”, só CAROLINA, com seus olhos fundos, não viu…

*(Hoje eu sou um parisiense)

**Codinome de Chico Buarque de Holanda na autoria de algumas composições no período da ditadura militar

Os caracteres maiúsculos referem-se às músicas compostas por Chico Buarque

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