Catador de lindezas – Jayme José de Oliveira

Jayme José de Oliveira

Com profunda tristeza encaro o estado a que o Brasil foi lançado pelos maus brasileiros. Felizmente não todos. Os que não sucumbiram à hecatombe moral, à ganância desmesurada, ao “levar vantagem em tudo” podem se localizar em Mateus 5:13 – “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens”.

Com profunda alegria estou convicto da existência duma elite, ELITE, com letras maiúsculas. O Criador, no Gênesis 1: 27- “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.

Teria o Criador imaginado que os descaídos representassem Sua imagem e semelhança? Inadmissível. Ao nos conceder o livre-arbítrio abriu a possibilidade dos descaminhos, ao nos situar à Sua imagem vaticinou a sobrevivência do “sal da terra”.

Rita Maidana captou de maneira soberba esta verdade que remete à esperança e a expôs na magnífica poesia:

CATADOR DE LINDEZAS

Eu venho de lá, onde o bem é maior. De onde a maldade seca, não brota. De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção.

Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades.

Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações.

Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor.

Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças.

Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança e os mais velhos são confiança e sabedoria.

Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe.

Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho. Eu venho de lá e não estou sozinho.

“SOU CATADOR DE LINDEZAS”, sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem.

Procuro bonitezas e bem-querer, sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar. Não esqueço de onde venho e vou sempre querer voltar.

Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto a maços de alfazema e alecrim. Assim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho…

Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. Digo: existe sim, é fácil encontrar. Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho.
Este lugar que pulsa amor é dentro da gente, é essência, está em cada um de nós. Basta a gente buscar.

(Texto de Rita Maidana)

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

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