Notas Dissonantes por Sérgio Agra
"A crítica com transparência e responsabilidade. A visão do homem sob a ótica do humano, demasiado humano".
Sérgio Agra
agraeagra@terra.com.br
Advogado e escritor – Autor do livro “Mar da Serenidade”




»Comentários
Quero dizer que nunca votei no FHC, tampouco no da Silva. Esse pecado não trago na consciência. Os dois para mim tanto faz. Agora, os petistas encamparem a Bolsa Família, é dose! Por outro lado, o da Silva e o PT, “ENQUANTO” partido, sempre defenderam uma auditoria da dívida externa. Essa tese era plataforma de campanha e dizia-se (com justa razão) que o Brasil, só de juros para o Fundo, havia pago duas, três vezes a dívida. E o que aconteceu? O da Silva assume o poder e, logo, logo, agacha-se ao grande capital internacional e nacional, entregando-se como reles meretriz a esses interesses: “façam de mim o que quiserem”. Muito legal, pagaram a dívida externa. E a interna? Por que o Dr. Genro não quita os precatórios das pensionistas e dos funcionários estaduais que, por direito, têm haver com o erário? E o governo federal por que não paga de uma só vez, no mesmo ano, o que deve a milhões de segurados, vipuvas e dependentes famelicos do INSS, por exemplo? Não seu “Pedro e Paulo”, vá gorjear em outra mata. A mim o senhor não passa cachorro. Parabenizo, por fim, a bela crônica, aliás, padrão do cronista nas letras do nosso "Litoral".
Carlota enlouqueceu aqui no “país tropical”. Pudesse a Corte voltar aos tempos de hoje e, certamente, toda ela enlouqueceria, pois vivemos num país de doidos, onde a parceria povo / político funciona como a tabelinha Pelé / Coutinho. Ou seja, pelo povinho que nós temos nada podemos esperar da Casa Legislativa, nas diferentes esferas. O Congresso com o último caçado ou sem ele é o mesmo e assim ficará. Pior que agora um “guampa”, com relações mais estreitas com o Cachoeira, é que assumiu a vaga do caçado. Bem feito para nós.
Ao ler a sua crônica me vem à mente o pensamento de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. O pensamento é atualíssimo, e se adapta ao seu texto, com o qual concordo na íntegra.
Aprecio muito as suas crônicas. Sem desmerecer os demais, o senhor carrega o estandarte do Litoralmania. Entretanto, ouso discordar quando o texto diz o Senado ficaria bem pior caso Demóstenes não fosse cassado. Não há como piorar o que é ruim. E o nosso Congresso (ai falo das duas Casas) é ruim demais! Aliás, o obscurantismo, hoje, não fica apenas na órbita política. Ele se estende por todos os quadrantes. Para resolver teríamos que partir do zero. Mas isso é impossível. A frase da dona Carlota se tornaria realidade com o passar da história, assim como correto está o que disse um certo Edson Arantes do Nascimento: “Brasileiro não sabe votar”. Parabenizo o cronista por mais uma excelente crônica.
Vejo que é a tônica do senhor e dos demais cronistas do Jornal em tecer considerações desairosas à política como um todo, apontando sempre os defeitos, esquecendo as qualidades. Cito duas realizações e execuções dos governos pós Fernando Henrique: a Bolsa Família e o pagamento da dívida externa. Com a Bolsa Família milhões de pessoas saíram da linha da miséria absoluta e passaram a se alimentar todos os dias. Com o pagamento ao FMI, saldando a dívida, o Brasil passou a ter credibilidade internacional, e passou a formar o “BRIC”, enquanto nação. A questão da corrupção é pontual, sempre existiu, e hoje o holofote, graças a ampla liberdade de impressa, dá mais visibilidade. Mas é fato que a Polícia Federal nunca trabalhou como hoje e, quando apura um crime entrega à justiça. Ficar apenas criticando, eu já disse para outro colega seu, é fácil e, provavelmente rende mais do que elogiar. O cronista (eu penso assim) tem a obrigação com a verdade. Que critique, mas também aponte os acertos, caso contrário acaba por se equiparar a um Davi Nasser, a um Hilário Honório, a um Nelson Rodrigues. Texto bonito, bem acabado, mas pecando pelo radicalismo de direita, tão nefasto quanto o de esquerda.
Senhor Sérgio a Imperatriz Carlota, tida como louca, demonstrou toda sua consciência quando dizem que ela ao ir-se não queria levar qualquer poeira desta terra. Se olharmos o processo histórico da Família Imperial para cá – nesses quase 200 anos, para ficar apenas nesse período – ver-se-á um processo contínuo de clientelismo, corrupção e roubo dos agentes públicos e políticos, como soer acontecer nos países latinos. Nada mudou apenas a folhinha e os personagens. O Demóstenes caiu, mas vem outro da mesma laia. O que se pode esperar? Depois de duas décadas de ditadura, elegeu-se um “caçador de marajás”. Deu no que deu. E os que vieram a seguir nada, absolutamente nada, acrescentaram à ética política. De minha parte, descreio de todos. E é com esse espírito que pretendo, confesso-lhe, sempre que se oportunizar, “exercer a minha cidadania”.
Caro Sérgio,
Alguns fatos de nossa história só "caíram no esquecimento coletivo" porque nossa formação cultural privilegia o jornalismo midiático e superficial.
Há uma profissão no Brasil, a do historiador, que é menos reconhecida do que qualquer outra no ramo da educação. É o historiador o responsável por fazer lembrar e não deixar de lembrar o que, às vezes, quer ser esquecido por muitos. Mas o que ganha um historiador se não um salário miserável e, na maioria das vezes, reconhecimento apenas "post mortem"?
É esse país que desmerece quem trabalha com nossa história que deixa que caiam no esquecimento fatos importantes dentro do debate da educação e da cultura, tão necessárias ao desenvolvimento da nação.
Quando nosso país der mais valor ao historiador (e ao professor) do que ao que Bial, Bonner ou Faustão falam, as coisas irão realmente começar a mudar.