Sérgio Agra Notas Dissonantes por Sérgio Agra "A crítica com transparência e responsabilidade. A visão do homem sob a ótica do humano, demasiado humano".

Por um mar de serenidade

29/08/2008

Completei, no dia 27 de agosto, um ano de prazerosa convivência com os leitores e com as páginas eletrônicas deste fantástico, sempre prático e jamais estático Litoralmania. Foram doze meses, setenta e dois artigos – dentre crônicas e alguns contos – em que poucos foram os que não tiveram seu texto comentado.

Recebi elogios, afagos e o contraponto ao meu pensamento, ao meu ponto de vista; contraponto este sempre direcionado ao mundo das idéias, como foram os comentários dos defensores públicos. De cunho chulo e pessoal, apenas dois leitores e uma leitora que, ao fim e ao cabo, não se apresentaram uma segunda vez. Isso tudo é parte integrante do estado democrático de direito.

Foi permanente e vigilante a preocupação em ser fiel ao epígrafe da coluna: “A crítica com transparência e responsabilidade. A visão do homem sob a ótica do humano, demasiado humano".

Este aprendizado prático fora fundamental para a conclusão de meu pequeno romance, “Mar da Serenidade”, lançado na noite de 27 de agosto, em sessão de autógrafos com pouco mais de três horas de duração, no Museu dos Esportes – Shopping Total –, em Porto Alegre.

Foi uma noite memorável em que me senti cercado pelo carinho e o afago de centenas de amigos que lá compareceram. Cento e sessenta e um exemplares vendidos e um, segundo o amigo que me auxiliou na vendagem, “apropriado indevidamente” por uma velhinha. É o inusitado acontecendo para que o folclore perdure.

Todos os que lá me brindaram, fizeram-se presentes através de convite – por correio eletrônico e postal: – colegas do Colégio Júlio de Castilhos, da Faculdade de Direito – a quem não via desde os tempos de formatura –, da Caixa Econômica Estadual, os poucos, mas fiéis amigos de infância/adolescência, alguns inesperados, até, e todos os demais transformaram em doces remembranças o que poderia ser tão-somente um encontro.

Saí revitalizado, com a intuição de que possa, quem sabe, me jogar de corpo e alma a um segundo romance – que, em tese, já está escrito –, ainda que conte somente com a efetiva presença daqueles mesmos leais amigos que me acarinharam naquela noite.

Já agendei minhas participações nas Feiras do Livro de Osório, Caxias do Sul e Porto Alegre, além das tardes de autógrafos em Capão da Canoa, no dia 13 de setembro, e Santa Cruz do Sul, no dia 27 do mesmo mês.

Em contrapartida, a grande mídia porto-alegrense é um feudo corporativista: inatingível ao escriba ainda desconhecido. Tentei, sem qualquer ilusão maior, a divulgação do evento em três programas de televisão, um radiofônico e várias seções de um determinado jornal, sem qualquer retorno.

Tudo isso, no entanto, faz parte do longo, espinhoso e, tantas vezes invencível caminho de quem pretende fazer literatura. Hoje, mais do que em tempos outros, são poucos os que conquistam, de imediato, aquele espaço. Parafraseando o imortal Fernando Pessoa, “mas tudo valerá a pena, se a alma não for pequena”.

Sérgio Agra
agraeagra@terra.com.br
Advogado e escritor – Autor do livro “Mar da Serenidade”

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