Correção fraterna e perdão – Dom Jaime Pedro Kohl

Olhando numa visão real e coletiva da existência humana, concluímos que cada indivíduo deve auxiliar os outros nos seus momentos de fraqueza e desânimo. Nenhuma pessoa deve viver como uma ilha, introspectiva e despreocupada com os demais. O sentido pleno da vida é marcado pela convivência fraterna.

Como esta convivência se dá entre pessoas com seus dons e limites, sempre terá conflitos e tensões, portanto será indispensável uma disposição ao perdão. E até onde vai o perdão, até sete vezes? A resposta de Jesus a Pedro: “não sete vezes, mas senta vezes sete” significa sempre que necessário, sem limites como é o perdão de Deus.

As pessoas que erram precisam ser advertidas de seus atos irresponsáveis e não simplesmente condenadas sumariamente. Torna-se um ato bonito de responsabilidade de uns para com os outros.

A correção fraterna de uma má conduta é um fato delicado, porque pode causar constrangimento diante da comunidade de quem é corrigido, mas deve estar fundamentada no respeito e no amor.

Em determinados atos, os recursos de correção passam para a área judicial. É por isso que estamos assistindo o vexame de muitas de nossas autoridades. Os rombos são muito grandes e a capacidade de conversão é impedida pelo deus dinheiro. A melhor correção seria a devolução do que foi desviado, mas poucas vezes isso acontece de forma satisfatória.

Quem ama faz de tudo para não praticar o mal e corrige-se de seus maus atos com muita facilidade. A fraternidade é divina e precisa estar acima dos interesses egoístas, daqueles que prejudicam a vida das outras pessoas. Nisso está centrada a mensagem cristã e os ensinamentos de Jesus Cristo contidos nos Evangelhos, que vê o outro como irmão e não como perigo e ameaça de vida.

Somente quem ama de verdade e tem fé faz a correção fraterna e concede o perdão. O perdão é um valor profundamente cristão e precisamos nos dispor a ele. Para o dinheiro roubado ao pobre não tem outro perdão senão a devolução devida.

Jesus nos diz que precisamos “perdoar de coração” ao irmão que erra e se arrepende, à semelhança do perdão de Deus, sem limites e condicionamentos. Para o injusto é exigido até o último centavo.

A correção fraterna e o perdão fazem falta em muitas famílias e comunidades. Quanto sofrimento por falta de perdão e muitas vezes por coisas insignificantes e mesquinhas. Se Jesus levar a sério nossa oração: “Perdoai as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”, podemos ficar no prejuízo.

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório

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