É nóis mano! – Erner Machado

É NÓIS, MANO !

Fui criado em Rosário do Sul e estudei em Escola Pública, desde o Primário, até a Conclusão do Curso Técnico de Contabilidade.

O Primário foi no Patronato, e no colégio do Padre, o Ginásio foi no Glorioso Ginásio Estadual Plácido de Castro e o Curso de Contabilidade foi no Saudoso Visconde de Mauá que funcionava, à noite, no prédio da Colégio Marçal Pacheco.

Fiz, esta digressão nostálgica para dizer que no Curso Primário em ambas as instituições e no Curso Ginasial no Plácido, nas aulas de sábado de manhã, existia a Chamada Aula de Auditório a qual era aberta com a execução solene do HINO NACIONAL, desenvolvia-se com apresentação, por parte dos alunos, de Textos em Prosa e Verso, apresentações teatrais e encerrava-se com a execução, também, solene do HINO DO RIO GRANDE DO SUL.

E foi assim que eu cresci, em idade e em patriotismo, tanto pelo meu pais, quanto pelo meu estado.

E igual a mim, muitas gerações de jovens, hoje já de cabelos brancos cresceram, aprendendo a dar valor aos símbolos da Pátria – Nossa Bandeira, Nosso Hino e nosso Brasão de Armas.

Para estas gerações e para as que as antecederam o amor e o respeito ao Rio Grande do Sul, à sua história, às suas tradições, aos seus heróis, à sua bandeira e ao seu hino, constituíam-se em verdadeira Veneração.

Depois quando me tornei adulto e entrei na vida, até hoje, nunca vi uma solenidade de qualquer cunho- do acadêmico ao político- na qual não ouvisse e cantasse de Pé, por respeito e com o a mão direita no coração- por amor- os Hinos do meu País e do meu Estado.

Mas os tempos mudaram, e Camões, a quem fui apresentado pelo saudoso professor Augusto Brasil de Carvalho, diz:

” Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança,

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando-se, sempre, novas qualidades.”

E em lugar das Gerações que antecederam a minha, com a gerações atuais, deixou-se fazer e respeitar a fila de entrada à sala, de aula, deixou-se de estudar história do Brasil, Moral e Cívica, História do Rio Grande do Sul, deixou-se de considerar o Mérito Pessoal, como ferramenta de oportunidades para jovens, deixou-se de respeitar o Professor e sua autoridade de Cátedra, deixou-se de cultuar valores como honestidade, seriedade, respeito, cultura, e “ glamourizou-se ” a mediocridade como valor do procedimento nacional e fomos decaindo como sociedade e como cidadãos.

Caímos tanto que em uma Sessão Solene de Posse dos Vereadores da Capital de nosso estado, uma ou mais de “ suas excelências” – em minúsculas e entre aspas-, se recusou ou se recusaram a levantarem e cantarem o Hino do Rio Grande Sul, sob a alegação de que a estrofe: “Povo que não tem virtudes, acaba por ser escravo.”

Houve muitos comentários contrários a atitude. Louváveis comentários.

Todavia, para este Peão de Estância-que às vezes faz um pobre texto- não causou surpresa a atitude de “suas excelências” pois, elas, fazem parte desta geração que não sabe de cór a raiz quadrada de 144, que não sabe falar e nem escrever português, que não estudou história, que perdeu o respeito, que perdeu a educação, que nunca viu no Professor um Mestre que pudesse lhe ensinar alguma coisa, que não respeita seus ancestrais, que zomba da cultura e que não tem conceito de cidadania e que por não ter valores patrióticos, defende outras culturas, de outras geografias, em detrimento da nossa e zomba de nossos valores e de nossa história.

Com certeza, em algum momento estarão, valendo-se de seus substanciosos salários e vantagens, em um Restaurante de Classe, comendo filé mignon e tomando vinho estrangeiro e tranquilamente, dizendo:

É NÓIS MANO ! E COM NÓIS É ASSIM!

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