Emparelhando o jogo – Jayme José de Oliveira

 PONTO E CONTRAPONTO – por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 EMPARELHANDO O JOGO

Populares desarmados assassinados por delinquentes são fatos corriqueiros, não podem reagir. Fastidioso seria citar todos, tantos e tão frequentes são. Porém, quando estão de posse duma arma, mesmo sendo idosos e aparentemente inaptos para reagir, podem e muitas vezes fazem o feitiço virar contra o feiticeiro. Este é o grande argumento para permitir a POSSE de armas ao cidadão: equilibra o jogo.

 Mesmo assustada com um assaltante que invadira seu apartamento, em Caxias do Sul (11/06/2012), uma senhora de 86 anos não hesitou em usar a arma. “É ele ou eu”. Pegou o revólver no guarda-roupa e matou o invasor com três tiros.

Um caminhoneiro reagiu a um assalto e matou o criminoso, na madrugada de 05/09/2013 em Itapeva, sul de Minas Gerais. A vítima antes havia sido atingida por dois disparos.

Às21h30 de 31/08/2014 uma idosa de 77 anos sacou um revólver calibre .38 e matou um criminoso que queria levar o dinheiro do caixa da “Padaria da Vovó”, em São Lourenço do Sul.

Alexandre Schirmer é proprietário de uma farmácia em Rainha do Mar, no Litoral Norte. Sofreu três tentativas de assalto entre 2013 e 2018, reagiu e matou um assaltante em cada. Pratica e treina em clubes de tiro há quatro décadas.

Mais armas na mão de cidadãos, uma das promessas da campanha de Bolsonaro significam mais mortes ou reforça a defesa?

Júlio JacoboWaiselfis, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais entende que os indicadores de óbitos tendem a aumentar se mais armas estiverem circulando.

Ivan Keller, presidente da Federação Gaúcha de Tiro Prático afirma que o perigo não está nas armas, mas em quem as utiliza.

Armas em mãos de bandidos SEMPRE SÃO CONDENADAS, tanto pela legislação como da maioria dos cidadãos.

Por outro lado, os indicadores de criminalidade no país indicam que a proibição mais do que ineficaz, foi prejudicial porque levou os criminosos ao destemor, têm a convicção que podem cometer delitos sem receio de reação. Ao negar às vítimas o direito à defesa retira-se um elemento de inibição do crime.

“O acesso à arma recompõe a igualdade nessa relação”. (Fabrício Rebello, pesquisador em segurança pública).

No Estado, o movimento pró-armas repercute na mudança de perfil dos clubes de tiro.Inaugurado em fevereirode 2018, no Bairro Rio Branco, Novo Hamburgo, o clube Ranger angariou 950 sócios em menos de um ano.

Douglas Tibrerski, o responsável, solicita nome e RG dos candidatos. Depois de consulta no sistema da Polícia Civil, só permanece quem tem ficha limpa. – “Tem problema com a polícia? Nem passa do balcão”. Assim conseguimos separar o joio do trigo. Por mês o clube abre dois cursos, um feminino e outro misto, administrados por Marcello dos Santos, sócio do clube. O treinamento começa em uma sala de aula onde os alunos recebem instruções sobre a maneira segura de manusear o armamento e legislação. Depois de três horas de teoria, passam para a prática. Ao concluir estão plenamente capacitados a efetuar a manutenção de sua arma e só utilizá-la nos casos previstos na legislação.

Cumpre ressaltar a fundamental diferença que existe entre dois tipos de licenciamento. POSSE da arma: faculta manter o armamento no interior da residência ou no local de trabalho. PORTE de arma: pressupõe autorização de circular com a arma. Para obter é preciso comprovar necessidade de defesa, expondo fatos e circunstâncias.

A posse e o porte de arma são autorizados somente pela Polícia Federal. Os critérios para conceder licenças são extremamente rigorosos, é necessário comprovar idoneidade, negativa de antecedentes criminais, aptidão psicológica e comprovar efetiva necessidade.

Resumindo: os cidadãos merecem ter a possibilidade de se defenderem e ao seu patrimônio com o uso de armas. Serão autorizados se comprovarem idoneidade e, para porte, efetiva necessidade. Quem se opõe presta um desserviço à nação e facilita a atuação de delinquentes. Eles “não estão nem aí” para a legislação.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 

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