Eratóstenes – Jayme José de Oliveira

PONTO E CONTRAPONTO– por Jayme José de Oliveira

“Por mais brilhante que sejas, se não fores transparente, tua sombra será escura”.

 ERATÓSTENES

O potencial do nosso cérebro – a maravilha suprema do universo conhecido – nos leva a crer na possibilidade infinita do progresso e isso é fácil de compreender. Na mega-sena são escolhidos conjuntos de seis números de um grupo de sessenta. Quantas as combinações possíveis? Nada menos de 50.063.860, mais de cinquenta milhões. Possuímos 86 bilhões de neurônios, cada um pode realizar sinapse (contato entre neurônios). Quantas combinações possíveis? Um matemático pode calcular usando uma fórmula, se quiser discriminar com algarismos não encontrará espaço para tanto. Todas as estrelas do Universo não atingem esta quantidade.

O conhecimento é semelhante a uma escada, cada degrau corresponde a uma descoberta e cresce continuamente. Nossos antepassados legaram seus conhecimentos, Eratóstenes calculou a circunferência da Terra 200 anos antes de Cristo. Errou por 75 quilômetros. Incrível precisão, se considerarmos os recursos disponíveis na época. A ilustração permite uma percepção da forma como solucionou a questão.

 

 Carl Sagan na série “Cosmos” dedicou um episódio, no qual relata a experiência de Eratóstenes:

ERATÓSTENES – Vídeo da série COSMOS de Carl Sagan – 6min38seg

http://www.youtube.com/watch?v=VHCAgniEVto

Cérebros exponenciais descobriram o que sabemos hoje. Sermos o que somos devemos a Eratóstenes, Euclides, Arquimedes, Copérnico, Pasteur, Newton, Einstein, Volta, Asimov, Fermi e tantos que impossível citar. Por outro lado, somos seres também espirituais e a religião, os costumes e a civilização foram criados e difundidos por Cristo, Maomé, Buda, Lutero, Mandela, Luther King, Gandhi…

Somos o que somos por sermos o produto desses cérebros.   

O formato e dimensões do planeta Terra foram alvo da curiosidade dos homens desde a antiguidade. As mais diversas teorias foram aventadas, terraplanismo e esfericidade coexistiram durante séculos, atualmente, não restam dúvidas sobre a esfericidade, salvo para grupos recalcitrantes. Nenhuma evidência científica é apresentada por eles.

Nos pensamentos primitivos egípcio e mesopotâmico, o mundo era retratado como um disco flutuando no oceano. Um modelo semelhante é encontrado no relato homérico do século VIII a.C. em que “Oceano, o corpo de água personificado que envolve a superfície circular da Terra, é o engenheiro de toda a vida e possivelmente de todos os deuses”.

Os israelitas também imaginavam a Terra fosse como um disco flutuando nas águas; um firmamento arqueado separava a Terra dos céus. Como a maioria dos povos antigos, os hebreus acreditavam que o céu era uma cúpula sólida com o Sol, a Lua, as estrelas errantes (planetas) e as estrelas embutidas nela.

O terraplanismo é um movimento cuja tese fundamental é a alegação de que a Terra é plana, em oposição à visão comprovada de que a é esférica. Traços desta crença são encontrados em tempos remotos (por exemplo: os sumérios, os babilônios, os antigos egípcios, os hebreus primitivos e a maior parte dos gregos). Mesmo na Grécia antiga, esta tese já havia sido questionada por alguns cientistas e, depois, na Idade Média, por alguns padres (como, por exemplo: Alberto MagnoVenerável Beda e Tomás de Aquino). No final da Idade Média e início da modernidade, o terraplanismo foi contestado de maneira mais incisiva. A esse respeito, os principais nomes são: CopérnicoGalileuColombo e Fernão de Magalhães.

No entanto, curiosamente, esta crença reaparece no final do século XIX e tem ganhado força atualmente com as mídias sociais.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha revelou que 7% dos brasileiros acreditam que a Terra é plana.  O levantamento entrevistou 2.086 pessoas maiores de 16 anos em 103 cidades espalhadas pelo País.

De acordo com o resultado, a estimativa é que cerca de 11 milhões de brasileiros acreditem na teoria da Terra plana.    90% dos entrevistados declararam que o planeta era esférico e os outros 3% não souberam responder a pergunta.

Ainda segundo o levantamento, os menos escolarizados são os mais propensos a acreditar no terraplanismo. 10% das pessoas que tem até o ensino fundamental completo disseram que a Terra era plana, contra 6% entre os que completaram o ensino médio e 3% entre os que têm curso superior.

Jayme José de Oliveira

cdjaymejo@gmail.com 

Dra. Marília Gerhardt de Oliveira

gerhardtoliveira@gmail.com

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