Eu, nós e o Covid19 – Silma Terra

Cá estou eu em quarentena. Sim, em quarentena, mas não por estar infectada, muito pelo contrário, preciso estar muito longe do vírus, na verdade de qualquer vírus.

Sou paciente de câncer, portanto estou no grupo de risco, alto risco, tanto pela idade como pela doença grave. Preparei o espírito para ficar em casa.

Olho pra minha janela panorâmica que é um acalento para observar a rua e sentir a luminosidade do dia e o calor do sol. O que resta é ler, fazer um crochê que é uma terapia, como também escrever.

Escrever merece uma crônica à parte,  expressar-me através de palavras  é como uma quimioterapia, radioterapia e todos os tratamentos dos mundo para combater o câncer.

Preciso desafogar, colocar pra fora o que pulsa em meu coração, o que é latente no meu  cérebro pensante. Ter uma doença como câncer, no meu caso na coluna,  priva-me de muitas coisas:  de sair, de caminhar direito, de subir escadas, de ficar  muito tempo sentada ou deitada, de digitar, de fazer a limpeza da casa, lavar a louça, enfim, fazer os serviços mínimos de uma casa. Tudo é em doses homeopáticas.

Olhar televisão é uma grande opção, assistir filmes, séries, documentários, e claro os telejornais. Uma verdadeira enxurrada de informação, todos os canais de televisão, abertos ou pagos, só se fala na pandemia do COVID19.

E não há alternativa, afinal a pandemia dos tempos modernos  se alastra como um rastilho de pólvora. Enfrentar o coronavírus, rompe todos os pilares e os grandes países do mundo buscam manter reanimados a economia ameaçada. A economia mundial está prestes a sucumbir, pânico? Não sei, mas não há país que consiga passar por uma pandemia como se fosse um passeio.

E  o Brasil? O Brasil ficou inerte, paralisado. O brasileiro é um povo difícil, acredita que com ele nada acontece, minimiza tudo, a começar pelo nosso atual presidente. Sempre falo sobre este costume triste que nosso povo em sua maioria tem.  As teorias da conspiração estão aí. Assusta que hoje com toda tecnologia existente, desruptiva, que quebra  paradigmas, inovam, renovam, mas a maioria ainda tem um pensamento colonialista, de submissão, e isso resiste, resiste como estes vírus que se propagam a cada ano. O mundo tomou conhecimento  da gravidade da doença no dia 23 de janeiro de 2020, sei bem pois  é um dia antes do meu aniversário. Isolou a cidade de Wuhan e se viu obrigada a expor, a extraordinária capacidade de contágio. Muitos morreram, pessoas comuns e profissionais de saúde como o médico que alertou para o risco de epidemia e não foi dado credibilidade. Os países em geral não acreditaram no poder do COVID19 e demoraram demais a tomar medidas  relevantes para enfrentar a doença, inclusive o Brasil.

  Umas das medidas mais importantes é o distanciamento social das pessoas, infectados ou não. Eu estou enclausurada no meu apartamento, pertenço a dois grupos de risco. Na China e na Coreia do Sul as medidas foram tomadas a tempo e são os países que estão superando mais rapidamente a pandemia. Países como a Itália que demoraram a adotar medidas de isolamento, hoje é o que mais sofre com contagiados e a alta mortalidade das pessoas do grupo de risco, ou seja os idosos. Nós aqui também ficamos assistindo o mundo tomar medidas urgentes para controle e lotamos a praia no Rio de Janeiro. Como será quando número de infectados entupirem hospitais e UTIs? Vimos os chineses construírem hospitais em 10 dias, porque se fez necessário para os casos mais graves, que ataca os pulmões. Com isso, é preciso balão de oxigênio, entubamento e não teremos para atender a todos. Fique em casa, não fique em pânico.

A minha psicóloga dizia que eu estava negando o primeiro câncer que tive, eu não sentia nada, nada, nem dor, caroço, nada, apenas acreditava no que os médicos diziam. Assim como Bolsonaro, que negou dizendo ser uma conspiração da mídia, e ao invés de liderar o enfrentamento do coronavírus. Eu me deixei tratar.

Leio e ouço também sobre a destruição da economia, que nada será como antes, mas não atrevo-me a entrar nesta seara, afinal não entendo de economia, mas sei que todos os setores serão atingidos. Fico aqui a pensar como será o pós pandemia, quando tudo tiver passado, como estaremos. Teremos a consciência cada vez maior da finitude, ficaremos de ressaca de um pós guerra e do que tudo isso servirá?

Espero que saiamos muito melhores depois que a onda passar. Ficaremos atônitos olhando uns para os outros e envergonhados perguntaremos como que isso aconteceu? O que será do mundo após a pandemia? Continuaremos a nos matarmos em guerras? Continuaremos humilhando, sendo egoístas? Lembro dos filmes americanos que passam na sessão da tarde, ou domingo maior, com a destruição do mundo, ou por doenças altamente contagiosas, ou pessoas inteligentes que usam isso para o lado mal. Cidades podem desaparecer, geralmente as grandes cidades americanas. Então o mocinho, que levantou o problema, assim como o médico de Wuhan, mas que  não morre de jeito nenhum, salva o mundo. Qual o aprendizado disso tudo? O corona nos faz ter empatia, afinal quem mais se infecta são os grupos que sobrevivem, passam pelo problema como um resfriado qualquer, mas transmitem muito e devem pensar nos grupos de risco que certamente é fatal na maioria dos casos.

Temos que fazer a nossa parte enquanto aguardamos a onda do tsunami chegar, enfrentar e ao fim da pandemia, ressurjamos como a fênix, das cinzas, mas com outra mentalidade, de como somos ínfimos, de como o mundo é redondo sim, sem fronteiras e do quanto precisamos uns dos outros. Nada será como antes, pelo menos é o que espero.

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Inspirei-me no texto de Antonio Martins, editor de  Outras Palavras

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