Farinha do mesmo saco – Jayme José de Oliveira

Os contos populares são anônimos, de origem longínqua e imemorial. Porém, nos nossos dias, os contos populares são, antes de qualquer coisa, textos fixados pela escrita nas revistas folclóricas, nas recolhas dos estudiosos, nos livros para crianças. São clássicos do Brasil e Portugal.

Conta-se que ao criar o mundo Deus se fazia acompanhar de Lúcifer, ainda o arcanjo preferido, príncipe da coorte celestial.

Vendo que o Criador distribuía as riquezas e benefícios aos continentes e países, tendo, contudo, o cuidado de miscigenar com desertos, geleiras e outros quetais que tornam a vida mais rude e perigosa, observou o que lhe pareceu um país privilegiado:

- Mestre, por que derramas no Brasil tantas riquezas? Ouro, diamantes, fauna e flora exuberantes, clima temperado; ausência de vulcões, tufões, terremotos, etc.? Não sinaliza uma deferência injusta?

- Espere até ver os políticos que reservei para este país que dizes privilegiado.

EMENDA LULA.

“Apelidada de reforma das reformas, as propostas de mudanças nas leis eleitorais estão sendo utilizadas, mais uma vez, para resolver interesses pontuais e não para colocar a política nos eixos.

Um exemplo de falta de seriedade com o tema é a pegadinha que o deputado Vicente Cândido (PT-SP) colocou no seu relatório da reforma. Inserir a “Emenda Lula”. A proposta sugere que um político não possa ser preso oito meses antes das eleições. Feita sob medida para o ex-presidente Lula, soa como um deboche”.

”Questionado pela coluna, o presidente do PT gaúcho, Pepe Vargas, afirma que foi surpreendido pela proposta e que a considera equivocada”. (Carolina Bahia, Zero Hora – 17/07/2.017)

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (SP), minimizou a polêmica envolvendo a emenda oferecida pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP) que, se aprovada, impediria a prisão de candidatos até oito meses antes das eleições. “Isso é uma questão secundária” (??????) afirmou o petista. (Correio do Povo, 18/07/2.017)

E agora, a cereja do bolo: O deputado Wadih Damous (PT-RJ) disse que estuda apresentar um projeto de lei restabelecendo foro privilegiado para ex-presidentes. Com Lula no centro da operação, o petista pode escapar de uma possível condenação pelo juiz Sérgio Moro caso seja beneficiado pelo projeto. Há uma preocupação real no PT de que Lula venha a ser preso no âmbito da Lava-Jato.

— “Se um ex-presidente será julgado por atos que cometeu enquanto ocupava o cargo, que seja pela Corte Suprema”, defende o deputado autor da proposta. EM DUAS SEMANAS GOVERNO DESTINA R$15,3 BILHÕES PARA ALIADOS. (Correio do Povo - 17/07/2.017 – Manchete de capa) Um escancarado fisiologismo de quem usa a “caneta” para convencer aliados menos confiáveis a votarem de acordo com objetivos nada republicanos. No mesmo sentido, 14deputados foram substituídos por outros, com a contrapartida de votos contra o indiciamento preconizado pelo relator Sérgio Zweiter.

Sabendo-se que, perdendo ou ganhando, a decisão estará vinculada à votação no plenário, com a presença de todos os deputados, inclusive os deslocados, questiona-se não foi gastar pólvora em ximango. Infelizmente, tais atos recorrentes se repetirão “ad aeternum”enquanto a compreensão do papel dos parlamentares não for direcionada para os interesses da nação em vez de interesses pessoais ou de grupos. Somente quando a CONDENAÇÃO do uso partidário de verbas públicas proporcionar mais votos que seu uso indevido é que o fisiologismo começará a morrer no Brasil. Cabe a nós eleitores recusar peremptoriamente nossos votos a quem tentar nos aliciar com estratagemas espúrios. E NÃO PENSAR QUE ESTE OU AQUELE PARTIDO SEJA DIFERENTE.

SÃO FARINHA DO MESMO SACO.

Os dois exemplos escrachados que apresentei ressaltam com cores berrantes o quanto a nossa política se distancia dos princípios que a deveriam nortear. Nem se pode dizer que os eventuais detentores do poder se locupletam e “manipulam os cordéis” em benefício de interesses do grupo encastelado no poder, deixando os opositores a “pão e água”. Quando os interesses se conjugam, como na Emenda Lula, votos de todos se aglutinarão. Resta-nos a esperança (será atendida?)que não haja tantos venais. Atualmente não faltará alguém com suficiente falta de pudor para, mesmo em posição subalterna, propor leis casuísticas. O que nos deixa desesperançados é que o “pau que bate em Chico, bate em Francisco” e, no frigir dos ovos a maioria vota pensando que aquilo que hoje beneficia o adversário, logo adiante, ou mesmo simultaneamente, aliviará, indistintamente, dificuldades comuns. Afinal de contas Rodrigo Janot e seus sucessores têm poderes para acusar gregos e troianos. E isso é inconcebível para muitos dos nossos insignes representantes. O deus romano Jano, das mudanças e transições, tinha duas faces. Uma voltada para diante e a outra para trás, de tal modo que nunca dava as costas para nada nem ninguém. Pode-se dizer que, de certo modo, personifica políticos casuístas.

Jayme José de Oliveira cdjaymejo@gmail.com Cirurgião-dentista aposentado

Comentários

Comentários