Stanislaw Ponte-Preta, Lalau ou Sérgio Porto, junto com o “Barão de Itararé”, foi o maior cronista satírico que o Brasil conheceu. A “flor dos Ponte Pretas”, como também se autodenominava, construiu uma crônica que permanece atual e retrata, mudando-se os nomes dos personagens, a nossa burlesca realidade.

Millor Fernandes também foi grande perscrutador do “establishment”, mas distingue-se de Stanislaw pela erudição e pela ironia fina. Luiz Fernando Veríssimo também possui uma critica mordaz e intelectualizada, mas peca – a meu sentir – pela partidarização. Aquele que se aproxima, hoje, da genialidade de Stanislaw é José Simão, o “Esculhambador Geral da República”.

Ponte Preta foi o autor do FEBEAPÁ – Festival de Besteira que Assola o País –, cuja primeiro volume trago comigo desde adolescente, a apontar certeiro com o seu humor as gafes e asneiras dos políticos, das socialites, do jornalista Ibrahim Sued, do carnavalesco Clóvis Bornay e de tantos aluados que tiveram o azar de passar pela frente da sua ferina pena.

Se Ponte Preta vivesse mais tempo, caçoaria da intelectualidade do FHC, do “esqueçam tudo o que eu escrevi”, dos erros de português do Lula, e diria a repetir que Lula vive dando “bicancas no português”, pois mora no “subterrâneo da gramática” como se referiu, certa vez, ao general Costa e Silva. A Dilma, é claro, não escaparia da zombaria mordaz do “Lalau”, fruto das suas trapalhadas na ordem conceitual sobre a bola, o homo e a mulher sapiens, ou da utilidade da mandioca e estocar o vento.

Mas também ele seria ainda mais implacável com o atual governo, cujas confusões, mesmo em tão curto tempo, dariam uma edição inteira do FEBEAPÁ.

Ponte Preta não abriria mão de se deter no episódio do “golden shower”, do “menino veste azul a menina veste rosa”, de que o “nazismo era de esquerda”, de chamar, em mensagem, a rainha da Inglaterra simplesmente de “Queen”, do emprego do “conge”, de que o “brasileiro viajando é um canibal” e “que passar fome no Brasil é uma grande mentira”. Longa galhofa teria na visão “pontepretana” a indicação do filho do presidente à Embaixada dos Estados Unidos, em cujo extenso currículo internacional consta ter fritado hambúrguer numa lanchonete americana.

Stanislaw Ponte Preta morreu cedo, em plena produção intelectual, não levando a sério nenhum “cocoroca” ou “otoridade” – substantivos que tanto gostava usar nos seus textos.

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