Febrace: Campus Osório conquista nove prêmios, entre os quais o ‘Professor Destaque’

A delegação do IFRS Campus Osório voltou ao Rio Grande do Sul com nove prêmios da 17ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), entre os quais a consagração da professora Flávia Twardowski como ‘Professor Destaque’.

O evento, que aconteceu de 19 a 21 de março de 2019 no Centro de Inovação da Universidade de São Paulo (USP), contou com 332 projetos de ciências e engenharia de 751 estudantes do ensino fundamental, médio e técnico de todo o país.

Os três projetos de pesquisa do campus que participaram da Febrace receberam reconhecimentos e, um deles, foi escolhido como o melhor do Rio Grande do Sul frente a outros 37 trabalhos.

O projeto “Catchpooh: Aproveitamento de Resíduos para Biossíntese de Celulose e Confecção de Embalagem” de Juliana Estradioto conquistou o 1º lugar em Ciências Agrárias, o 3° lugar no Prêmio Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Celular e o credenciamento para participar da Feira Internacional de Ciências e Engenharia da Intel (Intel ISEF), que ocorrerá de 12 a 17 de maio em Phoenix, Estados Unidos.

O estudo, que é orientado por Flávia Twardowski e coorientado por Thiago Maduro, também recebeu o Prêmio Destaque Unidades da Federação como melhor trabalho do estado – é a quarta vez que pesquisas orientadas pela professora obtêm este reconhecimento.

O trabalho de Vanessa da Rosa e Júlia Oscar “Qualidade Ambiental das Areias de Praia do Litoral Norte Gaúcho” também foi contemplado: as estudantes ganharam o 3° lugar em Mentalidade Marítima no Prêmio Marinha do Brasil.

O projeto também resultou em um decreto da prefeitura de Cidreira que se compromete com ações em prol da qualidade ambiental das areias. A pesquisa é orientada por Flávia Twardowski e coorientada por Claudius Jardel Soares.

“Estudos acerca das Variações Linguísticas de Língua Brasileira de Sinais no Litoral Norte Gaúcho”, projeto de Ana Clara Jardim, ganhou o Prêmio Feira Mineira de Iniciação Científica (Femic), o 4º lugar em Ciências Sociais e Aplicadas e o Prêmio Feira de Tecnologias, Engenharias e Ciências do Mato Grosso do Sul (Fetec MS) – com credenciamento para participar do evento que ocorrerá junto a 71ª Reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. O estudo é orientado por Aline Dubal e coorientado por Ingrid Gonçalves Caseira.

Prêmio Professor Destaque

Com participação na Febrace desde 2014, sempre com trabalhos premiados, a professora Flávia Twardowski subiu ao palco para receber a honraria que reconhece os esforços do professor na orientação e acompanhamento de estudantes que realizam projetos de ciências ou de engenharia. O prêmio ‘Professor Destaque’ foi entregue pelo pró-reitor de pesquisa da USP, Sylvio Roberto Accioly Canuto.

Flávia participou de uma pré-seleção por vídeo – que definiu os dez concorrentes para o painel de apresentação no evento. “Fiquei super feliz de ter ficado entre os dez classificados e não esperava ser a vencedora do ‘Professor Destaque’”.

Sua fala no evento destacou os fatos positivos de sua trajetória, o que, segundo ela, é o que marcou sua vida – mesmo tendo passado por desafios. Fazendo uma analogia entre a ciência e a construção de uma estrada, disse que a função do professor é construir um caminho com o aluno e incentivá-lo para ir além, buscando novos rumos.

Sobre a Febrace

Esta edição envolveu mais de 72 mil estudantes de 27 unidades da federação, conforme a coordenadora geral da Febrace, Roseli de Deus Lopes. “Eles desenvolveram projetos de pesquisa científica e tecnológica durante um ano inteiro e os submeteram à Febrace, diretamente ou por meio de uma das 116 feiras afiliadas. Isso dá a dimensão da importância da Feira e da qualidade dos projetos finalistas”, afirmou.

Promovida anualmente pelo Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Poli-USP, tem o objetivo de estimular a cultura científica, a inovação e o empreendedorismo na educação básica e técnica, despertando novas vocações nessas áreas e induzindo práticas pedagógicas inovadoras nas escolas.

“Não basta não ser racista, é preciso ser anti-racista”, reitera palestrante em evento do Neabi
São inúmeros os dados e situações que comprovam a existência do racismo na sociedade – tanto que numa plateia de mais de 250 pessoas, todas concordam com a afirmação. Mas ao serem questionados sobre quem são os agentes dos atos de racismo, a quase totalidade não sabe indicar. Foi com essa provocação que Marlise Paz, coordenadora da Assessoria de Relações Étnico-raciais do IFRS, iniciou a palestra “Enfrentamento ao racismo institucional”, realizada no dia 21 de março no IFRS – Campus Osório.

A atividade ocorreu nos turnos da manhã e da tarde e contou com a presença do antropólogo Iosvaldyr Bittencourt Júnior. O debate fez alusão ao Dia Internacional contra a Discriminação Racial. Marlise falou sobre o reconhecimento da identidade negra, a representatividade dos negros em espaços e funções que são majoritariamente ocupados por brancos (como a medicina, cargos políticos e docência) e apresentou dados que comprovam a exclusão racial devido à falta de oportunidades igualitárias – quadro apresentado como racismo estrutural.

Para ela, a forma mais eficaz de transformar a realidade social é com o combate ao racismo, não apenas por negros, mas por todas as pessoas. “Não basta não ser racista, é preciso ser anti-racista”, afirmou. Um dos caminhos para isso é fazer com que sejam aplicadas as leis que garantem o ensino da história e cultura negra nas escolas e a reserva de vagas na educação e nas empresas. Segundo a coordenadora, a legislação é necessária pois ampara as pessoas que tiveram seus direitos aniquilados durante séculos de escravidão e, posteriormente, não puderam iniciar os estudos por não terem calçados, cadernos ou uma família estruturada – requisitos exigidos para o ingresso na escola antigamente.

A ação foi organizada pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiro e Indígena (Neabi) do Campus Osório, sob coordenação do professor de Artes, Estêvão Da Fontoura. Ao final da palestra, estudantes direcionaram perguntas à palestrante e ao professor, que ressaltou a importância de compartilhar a fala com uma mulher negra a fim de trazer ao debate questões ligadas à discriminação de gênero.

Sobre a Assessoria de Relações Étnico-racial

Busca fortalecer e articular as ações e programas voltados à promoção de igualdade, inclusão e diversidade, com produção de dados, palestras e oficinas. São responsáveis pela promoção das ações afirmativas, a cultura da educação para a convivência, a defesa dos direitos humanos, o respeito às diferenças, a permanência e êxito dos estudantes e da população negra e da comunidade indígena, a valorização da identidade étnico-racial e o combate ao racismo. A assessoria fica localizada na reitoria do IFRS, em Bento Gonçalves, e é coordenada por Marlise Paz dos Santos, assistente de alunos e Caroline Castro, docente.

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