Leonardo da Vinci – Marília Gerhardt de Oliveira

Na Itália Renascentista, nascer bastardo entre as classes aristocráticas não era problema ou embaraço. Muitos artistas criativos daquela época eram filhos ilegítimos.

Autodidata, o canhoto de escrita espelhada Leonardo da Vinci iniciou a desenvolver sua genialidade na Florença do século XV, de economia próspera e onde havia a maior taxa de alfabetização da Europa (um terço de sua população).

Perfeccionista, obsessivo, distraia-se facilmente, postergava tarefas. Muitos de seus projetos e obras ficaram inacabados. Estudar Anatomia, através de minuciosas dissecações de cadáveres, o levou a conceber movimentos do corpo ao seu desejo de artista genial de retratar emoções intensamente, no que foi pioneiro.

Quando se mudou de Florença para Milão, passou a projetar dispositivos militares engenhosos, além de conjuntos de planos arquitetônicos revolucionários para a cidade, incluindo sistema de esgotos, objetivando reduzir surtos de pestes, o que qualificaria a vida da população local se asideias tivessem sido implementadas. Foi também um exímio produtor de espetáculos artísticos e culturais.

Ao contrário de muitos artistas de seu tempo, Leonardo da Vinci era bonito e asseado, de personalidade agradável, divertido e vestia-se de forma surpreendentemente colorida. À medida que envelhecia, foi cultivando longa barba.

O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci simboliza um ideal de Humanismo, dentro do quadrado e do círculo, em que as medidas e as proporções do corpo humano refletem estudos detalhados de Anatomia.

A abordagem empírica de Leonardo da Vinci, que embasava Ciência,principalmente em observações e experiências, o fez, mais uma vez, estar à frente do seu tempo. Mas também se permitiu evoluir, passando a estudar em livros (1490) e complementar as evidências experimentais a partir de estruturas teóricas já publicadas. A partir de então, passou a perceber que a Matemática era a base para transformar suas observações em teorias.

Sempre trabalhou em equipe. Era um observador obsessivo, principalmente no que diz respeito aos efeitos de luz e sombras. O uso inteligente de sombras como técnica para representar objetos tridimensionais significou a ruptura com as práticas de pintores da época, distinguindo inequivocamente as suas obras. Seus profundos estudos de Óptica impactaram sua Arte por sua crença no fato de que a visão dos limites na natureza e nas telas devessem ser borrados, o que o tornou pioneiro do SFUMATO, técnica levada ao seu máximo de perfeição na MONA LISA.

Já a principal contribuição de Leonardo da Vinci no estudo de perspectiva na Arte foi ter incluído, para além da perspectiva linear, técnicas para criar sensação de profundidade através de mudanças em cores e claridade. Para exemplificar, basta admirar a ÚLTIMA CEIA.

Notável e tremendamente humano: Leonardo da Vinci.

Às leitoras e aos leitores do Litoralmania, um NATAL de LUZ e um NOVO ANO DE PAZ!

Marília Gerhardt de Oliveira

gerhardtoliveira@gmail.com

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