Livre arbítrio – Jayme José de Oliveira

Numa sociedade multifacetada em que as pessoas exercem seu livre arbítrio seguindo critérios individuais, haverá sempre dissintonias até no convívio familiar. Ipso facto essas divergências se acumulam como aumento das pessoas envolvidas e assim se explicam os desentendimentos verificados diuturnamente.

Gremistas discordam de colorados, religiões promovem a formação de agrupamentos congêneres e, se nos embrenharmos na política as dissenções descambarão para entrechoques com consequências desastrosas. Não é prudente, na atualidade, o encontro de “bolsomínions” com “petralhas” pelo risco de embates onde a violência não pode ser descartada.

Impedir a diversidade, característica inerente à espécie humana seria uma ação que deslustraria o que de mais sublime possuímos, seria, em última instância, nivelar o homo sapiens aos seres regidos rigidamente pelos instintos básicos de sobrevivência e reprodução.

Thomas Morus, em 1516 elucubrou “Utopia”, um país onde não existia dinheiro e tudo era de propriedade comum. Em contrapartida a ascensão social era também uma quimera, os nascidos num patamar da escala social lá permaneceriam e seus descendentes idem. A ferro e fogo não se admitiam contestações,sob pena de, inclusive, escravidão. Como, escravidão numa sociedade sem classes? Examinando em detalhes pouco diferia de uma colmeia ou de um formigueiro. Seriam felizes os “acomodados”?Será esta “UTOPIA” a raiz da felicidade?

Afortunada a sociedade em que os diferentes são admitidos e acolhidos; onde não impera a lei do mais forte; onde é permitido sonhar com a ascensão conseguida através do esforço e da pertinácia; onde podemos almejar um futuro altaneiro aos descendentes; onde é permitido falhar e nem por isso ser execrado (contanto que corrijamos os nossos erros).

Numa entrevista, Michael Jordan, o maior jogador de basquete de todos os tempos declarou: “Eu posso aceitar falhas, mas não posso aceitar não tentar”.  “Você deve esperar grandes coisas de si mesmo antes que possa fazê-las”. “Para aprender a ter sucesso, é preciso primeiro aprender a fracassar”.  “Se há uma característica comum aos grandes campeões é a habilidade de manter o foco. Nunca deixe de tentar”.

Não apenas Michael Jordan. Pelé, Einstein, Gandhi,Mandela, Cristo, Buda, Maomé… – todos tiveram percalços – e devem ser cultuados. A mais humilde e mesmo inculta pessoa deve também ser enobrecida e reconhecida como expoente, desde que cumpra seus deveres e contribua com sua parcela para o giro do progresso.

No outro lado, convictos (são muitos e de variadas espécies) abdicam do seu direito, diria até hombridade de pensar e agir pelo próprio tirocínio e se aglomeram na vala comum dos áulicos, vulgares “puxa sacos” de ídolos com pés de barro. Só assim se explica – aqui não vou citar nomes, pseudo-ídolos são fascinantes e persistentes, similares todos -. Hipnotizados, seus seguidores se deixam engabelar para que os sigam, os defendam e por eles abdiquem da condição de seres pensantes. Ao ouvirem esses gurus,nunca dizem nada, restam permanentemente embasbacados, boquiabertos.

Sejamos orgulhosos sem prepotência, humildes sem subserviência, coerentes sem intransigência. Só assim seremos o que RudyardKipling pensou ao se dirigir ao seu filho, no seu mais famoso poema:“Se”,que assim conclui:

“Se é capaz de dar segundo por segundo  ao minuto fatal todo valor e brilho.        Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!”

SE – RudyardKipling – 1 minuto e 51 segundosDeclamado pela voz do psicólogo brasileiro Leonardo Goldberg, na tradução de Guilherme de Almeida.

https://www.youtube.com/watch?v=DlL4e_jfqWQ

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

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