Ministério Público busca agora prova contra Lula

A apresentação da mega-denúncia contra 40 envolvidos no escândalo do mensalão não encerrou o caso.  O blog  apurou que um dos alvos da Procuradoria da República é Luiz Inácio Lula da Silva.

Os procuradores envolvidos na apuração do caso julgam ter detectado no inquérito uma lacuna que pode levar à responsabilização direta do presidente da República. Mantendo a discrição que marcou a primeira fase das investigações, o Ministério Público guarda suas suspeitas em segredo.

Por meio do STF, o Ministério Público solicitou à Polícia Federal que aprofunde as investigações em torno de pontos que considera ainda pendentes de elucidação. A exemplo do que ocorreu na primeira fase da apuração, os procuradores não excluem a hipótese de realizar apurações por conta própria.

Não é boa a relação entre as equipes da PF e da Procuradoria destacadas para atuar no caso do mensalão. A polícia acusa os procuradores de precipitação. A PF havia pedido ao STF um prazo de 30 dias para concluir a apuração. Alega que várias perícias contábeis ainda estão pendentes de conclusão. Acha que parte das denúncias, por “inconsistente”, pode ser rejeitada pelo Judiciário.

Os procuradores dão de ombros para as queixas da PF. Dizem que não havia razão para postergar a formalização das primeiras quatro dezenas de denúncias. Sustentam que são “consistentes”, fundadas em “provas sólidas”. De resto, afirmam que, onde havia lacunas, o desfecho foi adiado para a segunda fase, a ser iniciada agora.

Um dos tópicos que intrigam o Ministério Público é o timbre peremptório empregado pela PF nos trechos de seus relatórios em que isenta Lula de qualquer tipo de envolvimento em todo o escândalo. Os procuradores avaliam que, em pelo menos um caso, há no inquérito indícios de responsabilidade direta do presidente. É um dos pontos nos quais desejam ver as apurações aprofundadas.

Ao anunciar a formalização da superdenúncia, nesta terça-feira, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Sousa, fez questão de frisar que Lula não constava do rol de denunciados. Não mencionou, por precaução de ofício, as suspeitas que rondam Lula. O destino do presidente está agora na dependência do rumo que as investigações irão tomar.

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