Não somos perfeitos – Jayme José de Oliveira

No Japão existe a técnica do KINT-SUJI: Colar os pratos partidos com esmalte dourado. Assim o objeto se torna único e começa uma vida nova. Os defeitos são uma parte inseparável da história do objeto.

E eles precisam ser aceitos e não escondidos. Nossos defeitos são o que nos convertem no que realmente somos. Não existem pessoas perfeitas. Todos têm sua própria história: única e maravilhosa! Não somos perfeitos, nada, nem ninguém, admitamos esse fato.

O segredo da felicidade consiste em apreciarmos nossas virtudes e aceitar nossas imperfeições como parte inerente de nós. Grandes personagens que cintilaram e cintilam no firmamento que engloba toda a história humana aprenderam essa verdade e a praticaram. Por isso foram e são o que são.

Em 16 de abril de 1959, no seu septuagésimo aniversário, Charles Chaplin escreveu seu mais belo poema:

Quando comecei a amar-me, eu entendi que em qualquer momento da vida,
estou sempre no lugar certo na hora certa.
Compreendi que tudo o que acontece está correto.
Desde então, eu fiquei mais calmo.
Hoje eu sei que isso se chama CONFIANÇA.

Quando eu comecei a amar-me,
entendi o quanto pode ofender alguém
quando eu tento impor minha vontade sobre esta pessoa,
mesmo sabendo que não é o momento certo e a pessoa não
está preparada para isso,
e que, muitas vezes, essa pessoa era eu mesmo.
Hoje, sei que isto significa DESAPEGO.

Quando comecei a amar-me
eu pude compreender que dor emocional e tristeza
são apenas avisos para que eu não viva contra minha própria verdade.
Hoje, sei que a isso se dá o nome de AUTENTICIDADE.

Quando comecei a amar-me,
eu parei de ansiar por outra vida
e percebi que tudo ao meu redor é um convite ao crescimento.
Hoje eu sei que isso se chama MATURIDADE.

Quando comecei a amar-me,
parei de privar-me do meu tempo livre
e parei de traçar magníficos projetos para o futuro.
Hoje faço apenas o que é diversão e alegria para mim,
o que eu amo e o que deixa meu coração contente,
do meu jeito e no meu tempo.
Hoje eu sei que isso se chama HONESTIDADE.

Quando comecei a amar-me,
tratei de fugir de tudo o que não é saudável para mim, alimentos, coisas, pessoas, situações
e de tudo que me puxava para baixo e para longe de mim mesmo.
No início, pensava ser “egoísmo saudável”,
mas hoje eu sei que se trata de AMOR PRÓPRIO.

Quando comecei a amar-me
parei de querer ter sempre razão.
Dessa forma, cometi menos enganos.
Hoje, eu reconheço que isso se chama HUMILDADE.

Quando comecei a amar-me,
recusei-me a viver no passado
e preocupar-me com meu futuro.
Agora eu vivo somente este momento onde tudo acontece.
Assim que eu vivo todos os dias e isto se chama CONSCIÊNCIA.

Quando comecei a amar-me,
reconheci que meus pensamentos
podem me fazer infeliz e doente.
Quando eu precisei da minha força interior,
minha mente encontrou um importante parceiro.
Hoje eu chamo esta conexão de SABEDORIA DO CORAÇÃO.

Não preciso mais temer discussões,
conflitos e problemas comigo mesmo e com os outros,
pois até as estrelas às vezes chocam-se umas contra as outras
e criam novos mundos.
Hoje eu sei queisso é a VIDA!

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

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