O Batom e a máscara – Silma Terra

COLUNA COTIDIANO

O Batom e a Máscara

Minha lembrança mais remota em relação à maquiagem não é das gavetas de minha mãe.

Na sua humildade, ela não usava maquiagem.

Lembro que a mãe trabalhava nos finais de semana na casa de uma família, numa localidade próxima à minha cidade natal.

O verdadeiro encanto foi quando abri uma gaveta no quarto da dona da casa. Diante da curiosidade infantil, ali à minha frente estava um mundo colorido de maquiagem, sombras, lápis, rímel,  batons, bases, pincéis… que loucura!! Olhei tudo, item por item, e obviamente usei. Como estar num mundo daquele e não sentir o prazer desse colorido no meu rosto? Tudo bem, já assumi para a dona da casa essa verdade.

O batom e seus encantos, grande arma de sedução feminina, e o mais democrático. Existe uma infinidade de modelos, de tipos, cores e muito fácil de aplicar. Batom serve para deixar recados, desde um te amo no espelho, um beijo no guardanapo ou a deixa de uma traição.

Maurice Levy é o inventor do batom na forma de bastão como conhecemos, mas historicamente, foi criado  na Antiga Mesopotâmia pelas mulheres que pulverizavam minérios para decorar os lábios. No Egito antigo eram usadas algas. Já na Europa Medieval, foi proibido pela Igreja, dizendo ser uma encarnação satânica. Na Inglaterra ganhou popularidade quando a rainha Elizabeth surgiu com os lábios vermelhos, numa pele branca e austera. Na história do batom, ele foi discriminado por ser “coisa de mulher de vida fácil”. O preconceito em torno dos lábios coloridos só saiu de cena com a popularização do cinema, nos anos 1930. A partir daí, divas como Joan Crawford (1905-1977) e Marilyn Monroe (1926-1962) ajudaram as donas de casa a tomarem coragem para adquirir um.  A indústria cosmética ganhou força e, enfim, o batom ganhou o louvor merecido.

Minha segunda experiência com maquiagem, foi quando estudante da antiga Escola Marquês de Herval, em Osório, e membro do coral da escola. Não lembro do evento, mas o coral iria se apresentar. Fiquei na residência de uma família,  amigos da  mãe, já que ainda morava em Palmares do Sul. Com uniforme oficial da escola, calça azul, camisa branca e pulôver vermelho, estava perfeita, mas ao chegar ao banheiro para arrumar os cabelos, abri o armário e lá estava o mundo paradisíaco da maquiagem. Passado o encantamento comecei a aplicar os produtos. Maquiada em todos os sentidos e me achando linda fui para o evento. Todos me olharam, eu deveria estar meio “mostrenga”, pois sou mulata e a dona da maquiagem era loira.

Eu adoro uma maquiagem como a maioria das mulheres. O batom em sua embalagem pequena no tamanho, mas gigante de significados, cheia de cores ainda mais significativas. O vermelho é poder, ousadia e funciona como um revigorante da autoestima, principalmente em tempos instáveis.

Por exemplo, em pacientes com câncer que passam por fatores como a queda de cabelos e cirurgia de mama, é fundamental sentir essa vitalidade que a maquiagem traz e principalmente o batom. Especialistas da área explicam que as cores são o espelho de quem os usa. Cores vibrantes como o vermelho, remetem  a felicidade e cores frias são consideradas mais frescas e sérias. Nos últimos tempos vimos nascer os  de cor nudes ou neutros, que remetem a calmaria, laranja e fúcsia a ousadia, e as cores dos ameixas são associadas ao perfil refinado e profissional. Enfim, a cor do seu batom remete quem você é ou está naquele determinado momento.

Qual menina não invade as gavetas das mães para experienciar o uso da maquiagem e o sapato de salto alto com o retoque de uma echarpe?

Pela boca sai nossa voz, sorriso, a fala, a sensualidade, o carisma e todo o poder de expressão e ainda torneada com um belo batom, não há quem resista. Mulheres se sentem mais seguras, confiam mais nas próprias capacidades,  demonstram mais confiança. Uma maquiagem faz qualquer mulher ser notada, já que exala uma especial confiança em si mesma, principalmente as fãs do batom vermelho.

Atualmente, por causa da pandemia, teria sentido usá-lo? Um belo batom para ficar encoberto? Sim! Quando colocamos batom é para mostrarmos o quanto somos fortes, criativas, impetuosas, sociáveis, com senso de humor,  tranquilas, perspicazes, bondosas e atenciosas, mesmo que seja um ato solitário.

Todos os meses vou à Porto Alegre para tratamento ou exames médicos. São as únicas razões que me tiram de casa no momento, por causa da pandemia. Como adoro me maquiar, isso me deixa melhor em todos os sentidos. Gosto de brincar: “ Esqueço de vestir as calcinhas mas não esqueço o batom”. Não que o meu bem-estar dependa de estar maquiada e com um belo batom, mas é um hábito e atitude quase automáticos.

Minha natureza criativa e brincalhona é apenas uma tendência a construir castelos no ar, apenas uma mulher que carrega emoções. O ato de aplicar o batom tem benefício terapêutico, faz-me canalizar minha energia em prol da minha realeza. Muito além do abrir a embalagem e sentir o seu cheiro clássico é me deparar com a cor que torna meus lábios cheios de significados. Pleno poder de levantar o astral.

Em tempos de pandemia, a máscara tirou de mim e das mulheres que amam batom o prazer de mostrar o bocão com o  seu colorido, mas não nos tira o prazer de aplicá-lo, mesmo que seja para virar um lambuzo só.

A atriz Audrey Hepburn uma vez disse: “Em um dia ruim, sempre há o batom”.  O ato de adornar nosso rosto com uma bela maquiagem, com o “grand finale” que é aplicar o batom, irradia qualquer dia, mesmo que seja para ficar dentro de casa, ou escondido atrás de uma máscara. Esse poder é teu, use e abuse.

#teatirapravida

Silma Terra

Palestrante Motivacional, comunicadora de rádio e televisão, Youtuber e  Bibliotecária de formação.

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Contato – contato@silmaterrapalestras.com.br

PodCast – https://soundcloud.com/sillma-borges-therra

Referências – https://pt.wikipedia.org/wiki/Batom

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