O bom filho a casa torna – Sergio Agra

NOTAS DISSONANTES – SERGIO AGRA

Intelectual não vai a praia. Intelectual bebe.

O BOM FILHO A CASA TORNA

Sergio Agra

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;.E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;.Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.”– Lucas, Cap. 15 – XXII a XXIV.

Posso até parecer ser um sujeito contraditório. Ser divergente, no entanto, longe está de significar desinteligência. Ao contrário! É a capacidade, sim, de revelar pelos próprios paradoxos de que se está disponível para entender diferentes realidades, sair da presumível zona de conforto e permitir que o tônus – estado de excitabilidade do sistema nervoso – nos transporte a constantes desafios.

De agosto de 2007 a abril de 2015 a generosidade de Rogério Bernardes, concedeu espaço para que “Notas Dissonantes” dividisse com tantos outros colunistas de singular brilho o prazer de ser lido pelo universo de heterogêneos leitores de Litoralmania.

Foram mais de trezentos artigos postados. Mais de um milhar de comentários elogiosos, depreciativos, discordantesque se prestaram como termômetro de encorajamento, de estímulo para que desafiasse a mim mesmo no sentido de aprimorar, lapidar cada vez mais a técnica da escrita. Era necessário, entretanto, que buscasse novos desafios.

Foi quando recebi convite para assinar coluna em semanário impresso. Nesses quatro anos transitei por dois jornais impressos em Capão da Canoa. O compromisso, diria, tornara-se mais distendido: uma crônica por semana.Forcei-me então a sintetizar e a tornar mais dinâmica a leitura, observando os limites do espaço de uma coluna de jornal em papel, resumindo o texto, medindo-o por uma folha de ofício A-4 e não superior a uma lauda. Se por ventura nesse tempo não logrei excelência faltou-me talento para tanto ou o leitor de jornal impresso é mais inativo, mais lânguido e todos os seus sinônimos (está lá no “Aurelião!).

E novamente a mesma generosidade do Rogério ora descortina os braços acolhedores de Litoralmania.
Senti a falta não somente dos comentários elogiosos, mas das “cacetadas”, das “pauladas”, pois, repito, eram elas o “termômetro” que media minha “temperatura” de polemista e de escrevinhador.

Polemista, e a própria designação da coluna, “Notas Dissonantes”, diz tudo, porque me identifico como alguém que destoa,que é desarmônico, que é discordante e que, de uma forma ou de outra, provoca.

Para o bem ou para o mal!

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