O cérebro do vencedor: sucesso gera mais sucesso?

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A cada dia surgem mais evidências de que o sucesso começa dentro de nós, mais especificamente no nosso cérebro. A forma como o cérebro funciona e como ele desencadeia certos comportamentos é vital para sermos bem-sucedidos —ou para fracassarmos.

Embora condições sociais e ambientais, bem como genéticas, também sejam fatores importantes nesse processo, a reprogramação cerebral tem ganhado espaço e credibilidade na sociedade atual. Muitos estudiosos defendem que podemos programar o nosso cérebro para o sucesso se dedicarmos algum tempo a isso.

Como mostra uma matéria da Forbes Brasil, com 30 horas de dedicação já é possível observar uma melhora no desempenho do nosso cérebro. Adotar hábitos positivos, como praticar exercícios físicos regularmente e fortalecer o pensamento positivo, pode fazer muita diferença.

Existe algo ainda mais potente quando o assunto é programar o cérebro para alcançar o sucesso: o próprio sucesso. Vencer uma competição ou um desafio é a melhor forma de nos tornarmos mais bem-sucedidos em futuras competições e desafios. Saiba mais sobre isso, a seguir.

O “Efeito Vencedor”

De acordo com diferentes pesquisas do campo da biologia, como mostra um artigo publicado pela Universidade de Cambridge, um animal que luta contra um oponente mais forte que ele tem mais chances de vencer a batalha se ganhar, primeiro, de um outro adversário, ainda que mais fraco.

O mesmo acontece conosco. Vencer um desafio desencadeia o aumento dos nossos níveis de testosterona e, em seguida, de dopamina, tornando-nos menos ansiosos, mais otimistas e até mais inteligentes.

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Como é possível ver neste artigo da Betway Casino, o sucesso tem um efeito positivo em nosso cérebro, conhecido como “Efeito Vencedor”. De acordo com o neurocientista e psicólogo cognitivo Ian Robertson, nossos sucessos passados programam o cérebro para buscar experiências positivas, replicando comportamentos anteriores.

A dopamina, um neuro transmissor que gera sensações de prazer e bem-estar, está ligada ao nosso sistema de recompensa cerebral que, a partir de nossas experiências, cria relações entre determinados comportamentos e as recompensas que eles geram. O ciclo de retroalimentação da dopamina tende, portanto, a estimular a repetição dos comportamentos que geraram o sucesso e foram responsáveis pelas reações positivas do cérebro.

Assim, é possível considerar que estímulos prazerosos efetuam mudanças no cérebro e moldam nossos comportamentos. É por isso que um grande consumo de açúcar, por exemplo, leva a uma vontade crescente de ingerir esse alimento, como afirma o neurocientista Jordan Gaines Lewis, em uma matéria do Huffpost Brasil.

Por outro lado, se o nosso sistema de recompensas associa a sensação de bem-estar a conquistas e comportamentos positivos, como o esforço na busca pelo sucesso, a realização de exercícios físicos ou a leitura, ele estimulará o nosso cérebro a buscar novamente essas práticas e a trabalharem prol da superação de desafio se do nosso aperfeiçoamento pessoal e profissional.

Em uma entrevista ao portal Gazetaweb, Ian Robertson afirmou que se o sucesso for encarado como sempre chegar em primeiro lugar, vencer os outros e alcançar a perfeição, ele pode ser prejudicial. Porém, se for visto como realização, como a criação de objetivos pessoais e a conquista desses objetivos, ele pode ser, então, muito benéfico.

Como programar o nosso cérebro?

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Afinal, podemos programar o nosso cérebro para alcançar o sucesso e, assim, estimular as conexões neurais que nos levarão a ainda mais conquistas? Retornamos ao início do texto e aos hábitos positivos que podem transformar o nosso cérebro e os nossos comportamentos.

Como mostra um artigo da Agência Fapesp, a neuro plasticidade — a capacidade do cérebro de se modificar de acordo com as nossas experiências — passou a ser defendida por vários cientistas a partir da segunda metade do século 20. Esse conceito ia de encontro ao que a ciência pregava até então: que o cérebro era um órgão estático, moldado pela genética.

Um dos pioneiros dessa nova corrente científica foi Michael Merzenich, professor neurocientista e mérito da Universidade da Califórnia. No livro Soft-Wired: How the New Science of Brain Plasticity Can Change Your Life, Merzenich apresenta algumas estratégias a partir das quais qualquer um pode moldar o seu cérebro de forma a melhorar a sua qualidade de vida.

O cientista também desenvolveu um sistema de treinamento cerebral, o Brain HQ, que oferece exercícios para o cérebro. Com esse treinamento, Merzenich afirma que é possível tornar o cérebro mais atento e mais disposto a mudar. Além disso, ele oferece uma série de benefícios, como melhorar a memória, a autoconfiança, a inteligência e até mesmo habilidades interpessoais.

Para os que não querem investir no treinamento do Brain HQ, há outras atividades que contribuem para a cognição, a atenção, a memória e a produtividade. Além dos exercícios físicos já citados anteriormente, a meditação, a visualização e a dedicação diária ao desenvolvimento de uma habilidade (bastam 15 minutos!) são boas opções.

A programação do cérebro parece ser, portanto, um caminho de sucesso relativamente acessível. Ainda que exija dedicação e disciplina, ele está disponível para aqueles que não tiveram a sorte de nascer com o QI do bilionário Bill Gates.

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