O espírito do Natal, espiritualidade, religiosidade e o espelho da vida – Sergio Agra

O ESPÍRITO DO NATAL, ESPIRITUALIDADE, RELIGIOSIDADE E O ESPELHO DA VIDA

“A religião é o ópio do povo” – Karl Marx

Sergio Agra

Alguém revelou que o verdadeiro espírito do Natal jamais foi encontrado. Declarar isso soa estranho, pois, se nunca se o encontrou não se pode saber como ele é, e talvez não se o reconheça, caso se o encontre.

As pessoas confundem a Natividade do Cristo com religiosidade e suas liturgias. Respeito o contraditório. Entendo-a sob a óptica da espiritualidade. Espiritualidade envolve um conceito mais geral e não tem ligação com nenhuma doutrina, enquanto a religiosidade está centrada na fé em uma religião.

Muçulmano, cristão, umbandista, budista ou hindu, todos possuem espiritualidade, mesmo que não participem de missas ou rituais. Até mesmo pessoas sem afiliação a qualquer igreja podem considerar que têm um lado espiritual. Assim, é possível dizer que, invariavelmente, quem tem espiritualidade tem fé.

Pessoa religiosa é aquela que frequenta culto e segue os preceitos de uma determinada doutrina. Ela pode fazer isso sem ter espiritualidade (e, algumas, nem fé possuem!), apenas por uma questão de hábito ou “conveniência social”.

Religião faz com que você se curve. Espiritualidade aponta para as suas asas. Religião faz com que você tema. Espiritualidade lhe mostra a coragem. Religião diz o que é a Verdade. Espiritualidade permite que você descubra a sua própria Verdade. Religião separa de outras religiões. Espiritualidade une. Religião o torna dependente. Espiritualidade faz com que você seja independente. Religião apregoa punição. Espiritualidade explica o karma. Religião faz com que você siga um determinado caminho. Espiritualidade permite que você crie seu próprio caminho.

Uma vez conhecidas as distinções entre Espiritualidade e Religiosidade, podemos admitir sem qualquer embargo a pluralidade de vidas, isto é, como centelha Divina que somos – espíritos eternos – nascemos e renascemos, encarnamos e reencarnamos centenas, milhares de vezes neste Planeta ou em outros deste Multiverso.

Há uma passagem no Evangelho em que o Cristo preleciona: “Em verdade, em verdade, digo-te: Se um homem não renasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. – O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito. – Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo”. A prece católica “Creio em Deus Pai” reconhece a imortalidade do espírito (alma), “… Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna…” ainda que equivocadamente se valha da expressão “ressurreição da carne”, vez que o corpo/carne (matéria) ao findar o ciclo vital não retorna, não revive.

Elizabeth Jhin, autora de “Espelho da Vida”, delicadamente e sem ofender dogmas religiosos, oportuniza ao laico “descobrir”, através da personagem Cris/Júlia, a pluralidade de nossas vidas. Num processo de auto regressão, Cris (re)conhece em Júlia Castelo a si própria e as pessoas com quem coexistiu em vidas passadas e torna a conviver no presente.

A regressão de vidas passadas é um processo terapêutico que tem como objetivo encontrar as causas de um problema através de acesso e ressignificação de memórias através de um estado de transe. A auto regressão é, por sua vez, e NÃO SEM OS SEUS RISCOS INERENTES – onde a própria pessoa se induz a um transe e explora as causas de seus problemas em seu passado.

Cris/Júlia conhece esse caminho estabelecendo para si mesma um objetivo a ser trabalhado. Entrando em Estado Ampliado de Consciência através da auto hipnose (perante o espelho da penteadeira) ela busca no passado e ressignifica a situação em que aquela sensação aconteceu pela primeira vez, retornando ao presente com os fatos ressignificados.

Há naturalmente quem desacredite na proposta da autora. Recusam-se a reconhecer os meandros da Lei de Causa e Efeito a que todos nós, como Espíritos, somos compelidos cumprir.

 

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