O futuro já chegou – Jayme José de Oliveira

Precisamos usar a internet para gerar uma inteligência coletiva, para tornar os seres humanos mais inteligentes individual e coletivamente. Isso não quer dizer que devemos estar sempre de acordo, muitas vezes o inteligente é aquele que pensa diferente e o tolo segue o bando sem debater.

O fato de termos à mão dados, pelo Google ou outras ferramentas não significa que atrofiaremos a memória, pelo contrário, podemos selecionar o que mais interessa. Antes da invenção da escrita os conhecimentos eram compartilhados boca a boca e não se mantinha a fidelidade, erros eram comuns no compartilhamento, muitas vezes intencionalmente.

O “Google” daminha juventude era a Enciclopédia Barsa que editava um novo volume anualmente para atualizar, hoje, com um clic no teclado tudo está ao alcance instantaneamente.

E as fakenews? Há tantas fontes de consulta para dirimir dúvidas e checar dados que apenas os displicentes se deixam enredar. Antes das redes sociais os(as) fofoqueiros(as) se dedicavam à arte de espalhar intrigas e mexericos.

A mentira não começou com a internet, a comunicação e erros coexistem desde que se inventou a linguagem. Julgamentos falhos a partir de informantes mal intencionados condenaram muitos, o Intercept e outras provas ilícitas apenas catapultaram o mau-caratismo e nem por isso se pretende voltar no tempo, ao tempo das fofocas e falsos testemunhos, tanto como mão admitiríamos retornar às carruagens puxadas por cavalos.

Sempre haverá mais progressos que recuos, não esqueçam, mesmo que ocorram dois passos para trás, seguidos ou precedidos por três adiante, o resultado será um de avanço. É o que ocorre na vida diuturna pessoal, familiar ou social. Ao fim e ao cabo seguimos nosso destino: progredir.

Fala-se muito na desigualdade que impera – sempre houve – e a bioética propugna por uma distribuição mais justa do bem-estar proporcionado pela ciência para toda a população.

Veja, isso acontece e de tal forma que as classes menos abonadas usufruem atualmente de produtos, facilidades e medicamentos que os ricos nem sonhavam há poucas décadas. Vacinas, antibióticos, transporte seguro e rápido, educação, estão ao alcance da população.

Antes de 1921 os diabéticos, todos, morriam por não existir a insulina; um pequeno ferimento matava por infecção, os médicos inclusive; doenças epidêmicas como a varíola fazem parte do passado e outras, como a poliomielite, em vias de sê-lo.

A civilização melhora a vida de todos, isto não implica em não batalharmos para aumentar a distribuição e ela virá com certeza.

Aos que consideram que estamos numa espiral descendente e a vida dos nossos avoengos mais justa pergunto: o que diriam de um juiz que condenasse, atualmente, um criminoso à crucificação? Um dissidente, uma ”bruxa”, a serem queimados vivos numa fogueira? Um humano à escravidão e seus descendentes também? Sacrifícios humanos aos deuses da ocasião?

Repito, estamos, sim, evoluindo e a bioética que levanta a bandeira do ditributivismo está no rumo certo. Aos religiosos que creem incondicionalmente nas Escrituras lembro o Gênesis 1:26 – “Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança.” Nossa consciência comprova, cada vez que um avanço civilizatório ocorre, está comprovando o fato somos feitos à imagem do Criador. O livre arbítrio faz parte dessa herança e precisamos escolher o rumo certo, cada vez que optamos pelo “pecado” em vez da virtude a trajetória terá seu tempo estendido, sempre lembrando que, para um Ser eterno, o tempo não conta.

Os bioéticos têm razão, o futuro da humanidade está umbilicalmente condicionado ao “repartir”, jamais ao “discriminar”. Discriminar pela cor, pela religião, pela política, pela posição social. A humanidade só atingirá seu ápice quando TODOS usufruírem as benesses que a ciência e a confraternização humana podem proporcionar. Poderemos então dizer: O FUTURO JÁ CHEGOU.

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