Jayme José de Oliveira

Thomas Morus (1478-1535) viveu na Inglaterra numa época em que camponeses eram expulsos de suas terras, bandos de ladrões proliferavam e uma justiça cega e cruel era imposta por uma realeza ávida de riquezas e poder. A revolta de Thomas Morus eclodiu na obra “UTOPIA” (do grego: lugar que não existe) apresentando uma sociedade alternativa, uma república onde a propriedade particular e o dinheiro são incompatíveis com a felicidade.

Inspirou os socialistas tendo Marx como teórico e Lenin seu discípulo. Revelaram-se tão utópicos quanto os predecessores, descambando em sociedades autoritárias. O erro crasso e fundamental foi considerar o homem um ser passível de ser regido por regras inflexíveis, como os animais que seguem inapelavelmente seus instintos. Os fundamentos basilares do homo sapiens sapiens é o livre-arbítrio e a individualidade. Não somos produzidos em série como máquinas nem adstritos a espaços e competências inalteráveis como abelhas numa colmeia. Cada um de nós é único e querer coagir a força jamais terá êxito em longo prazo. Uma consequência natural é o fato de, por sermos tão díspares, acumulamos qualidades e imperfeições. Estas, as imperfeições, não podem ser execradas e sim admitidas como parte inerente de nossa personalidade. Cumpre-nos administrá-las de tal modo que as tornemos integrantes do convívio social onde a família é o núcleo central.

Você tem uma família “perfeitamente imperfeita”? Então você está com sorte. O pedagogo e professor de filosofia espanhola GregorioLuri lembra o momento preciso em que examinou seu trabalho como pai e descobriu que, mesmo não sendo um pai modelo em todos os sentidos, ainda era um bom pai, isto é, um pai normal e imperfeito. A partir desse dia, começou a fazer as pazes com as imperfeições passadas.

A criança que cresce sabendo que pode ser amada apesar de suas imperfeições (não por causa delas) aprende a suavizar suas pequenas falhas para merecer o amor que recebe. Numa família imperfeita, mas saudável, a solidariedade não é negociável, permanece sólida enquanto tudo muda.

Se quisermos ajudar nossos filhos a pensar, vamos dialogar com eles, porque nada estimula tanto o cérebro quanto a boa conversa e, para completar, ensinar a desfrutar o silêncio e a interioridade. Se não podemos lidar com o silêncio, como vamos aprender a nos ouvir? O silêncio, a capacidade de desfrutar o silêncio é uma atividade, não é apenas ficar quieto. É uma atividade que nos ajuda a entrar em nós mesmos.Se quisermos ajudar nossos filhos a viver, vamos lhes dizer que nem sempre se consegue o que deseja, pois a vida também é imperfeita, assim como os pais. “Por favor”, “obrigado”, “desculpe”, “eu confio” são palavras mágicas, a estrutura básica da cordialidade.

As crianças são como barcos e é claro que elas encontram segurança no porto, mas precisamos insistir que elas não são feitas para ficarem ancoradas, mas para navegarem em águas mais profundas e enfrentarem a vida por conta própria.

Há muitas dificuldades, mas quando você, olhando para trás, descobre que sua vida familiar tem sentido, descobre a satisfação de que um dia você aceitou que ser um bom pai significava ensinar seus filhos a viver sem você e agora você descobre que eles conseguem devolver o amor que receberam. E para um pai imperfeito não há satisfação íntima maior.

Uma coisa que você precisa aprender na vida é amar a si próprio. Isso não significa egoísmo e sim apreciar o que é mérito nosso, nos permite amar os outros de igual modo. É nos perdoarmos quando cometemos erros, afinal somos humanos e não é crime colocar nossas necessidades em primeiro lugar, às vezes. Perdoe-se por erros no passado e que sirvam de alerta para não repeti-los no futuro. O Papa Francisco, na sua primeira homilia, pediu aos fieis que estavam na Praça do Vaticano: “Rezem por mim que sou um pecador”.

Não tenha medo de mudanças, mude o que precisa ser mudado, pode parecer difícil, porém é importante para encontrar satisfação na vida.

Faça algo que lhe traga felicidade todos os dias, todo o mundo precisa reservar “um tempo para si”, aquele momento em que dedicamos nosso tempo para algo que nos traz alegria. Não há egoísmo em cuidar das nossas próprias necessidades, isso nos fornece energia para pensar em outros no resto do tempo.

Não tenha medo de coisas e oportunidades novas, ouça a sua intuição e seja honesto consigo mesmo e assim poderás ouvir seu próprio conselho.

Acredite em si mesmo porque, se você não acreditar ninguém vai acreditar. Mantenha a cabeça erguida e não tenha vergonha de se sentir orgulhoso do sucesso, de perseguir o que quer, sem medo do fracasso. Na história da sua vida você é o escritor, não o leitor. Esteja sempre presente em sua vida, você não terá outra oportunidade.

Para concluir: SEMPRE FAÇA UM ESFORÇO PARA SER GENTIL E AMOROSO.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

 

 

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