O trigo e o joio – Dom Jaime Pedro Kohl

A parábola do semeador que meditamos no domingo passado deixava claro que para conhecer os mistérios do reino dos céus é preciso acolher a Palavra de Deus. E, Ela só produz frutos em quem a escuta e a compreende.

As três parábolas deste final de semana: o trigo e o joio, o grão de mostarda e o fermento nos ajudam a compreender um pouco mais dos mistérios do reino.

         A proposta dos trabalhadores de arrancar logo o joio, o sábio dono responde: “Não. Pode acontecer que, arrancando o joio, vocês arranquem também o trigo”. Essa pressa de resolver as questões que nos afligem, não é conforme o pensamento de Deus. Isto não significa que não devamos nos preocupar com os riscos que o joio oferece ao trigo.

         Jesus, mais do que ninguém sabe o que é bom e o que é mau, inclusive fica indignado quando os escribas e fariseus insinuam que seus milagres e curas são obra de belzebu. Contudo, a separação só acontecerá na hora da colheita, no momento em que pelos frutos se pode reconhecer quem é quem. Uma coisa é certa: aos justos a vida eterna e aos corruptos o castigo eterno.

 As outras duas parábolas, a pequena semente se torna uma grande árvore capaz abrigar os pássaros do céu e o fermento que faz levedar toda a massa, ilustram pela imagem o poder do reino do bem.

         Deus sabe esperar e não costuma fazer alarido, prefere soluções mais demoradas, porém mais respeitosas e duradouras. Jesus preferiu o caminho da cruz, do grão que precisa morrer para dar frutos. É próprio do Reino agir no silêncio e transformar o mundo por dentro, fermentando a massa.

Do pequeno e insignificante vem a mudança. A menor de todas as sementes se tornará a maior de todas as hortaliças. A boa nova do Reino confiada aos pequenos, pela força da Palavra, purificará o mundo de suas obras mortas.

         Saber esperar, ser paciente, não é concordar com o mal, mas vencê-lo com o bem. Como lê-se no Pequeno Príncipe: “Ser paciente é investir o tempo naquilo que é invisível aos olhos, mas essencial ao coração”.

         A paciência de Deus desafia a eficiência dos homens. É Ele quem faz crescer e espera pacientemente pela colheita. A paciência é sempre melhor que a precipitação; a não-violência que a violência; o amor que o ódio; a compaixão que a vingança.

Por agora, o trigo e joio crescem juntos, mas somente os justos brilharão na glória do Pai.

Dom Jaime Pedro Kohl - Bispo de Osorio

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