Os custos sócio-econômicos dos problemas psiquiátricos não-tratados – Por psiquiatra Sander Fridman

O profissional começou a atender recentemente em Osório, na Rua Barão do Rio Branco, 261, sala 8, na Clínica do Dr. Ângelo Mason. O telefone é 51 3663 2755.


Mas o que são “problemas psiquiátricos”? Podem-se defini-los como quaisquer problemas que interferem com as emoções, os pensamentos, os comportamentos, o rendimento intelectual,as interações sociais, o prazer de ser quem se é e de viver a vida que se vive, sem motivos, ou com motivos difíceis de se entender, seja pela desproporção entre a intensidade do sofrimento, dos sintomas ou da reação da pessoa, de um lado, e, de outro, a gravidade da causa ou frustração que os desencadeou.

Ou ainda pelo estranho tipo de reação ou sintoma, inesperado ou inusual, assim considerado pelas pessoas do convívio e pelo médico.Às vezes, esses pacientes precisarão ser tratados com psicoterapia, outras vezes com medicamentos, e comumente será mais conveniente que sejam tratados integradamente com medicamentos e com psicoterapia, além de outras formas de intervenções breves ou aconselhamentos.

As estatísticas norte-americanas dão conta de que cerca de 20% da população apresentou, vem apresentando nos últimos 12 meses, sintomas de doença mental, tratada ou não: 1% com esquizofrenia, 3% com doença bipolar, 7% com Depressão Maior, 20% com alguma doença Ansiosa, além dos transtornos do uso de álcool e drogas – muitos com várias tipos de sofrimento ao mesmo tempo. Que, para 4% dos norte-americanos, seus sintomas interferem com uma ou mais de suas atividades ou responsabilidades cotidianas.

Ou seja, transtornos mentais, para lá dos preconceitos que ainda existem em muitas sociedades, são problemas muito prevalentes e que atrapalham a vida de muita gente – não só a vida dos próprios doentes, mas também aqueles que com eles convivem, deles dependem ou que deles cuidam!

Além da grande angústia que lhes acompanha, torna difíceis os relacionamentos familiares, os relacionamentos e o rendimento no trabalho, afeta a qualidade de vida – interfere com o sono, com o conforto de viver, com a sensação de ter um propósito e um motivo para estudar e trabalhar. Afeta a capacidade de se concentrar, de lembrar, de se conduzir no dia-a-dia. Prejudica a capacidade para focar nos assuntos de interesse dos estudos e do trabalho.

Dentre os sem-teto nas cidades, 76% apresenta uma condição psiquiátrica grave ou abuso de álcool ou drogas; entre os jovens em conflito com a lei, 70% tem ao menos ao menos uma condição de saúde mental diagnosticável, e 20% uma doença mental grave.

Dentre os adultos com algum sofrimento mental, nos EUA, somente 40% tiveram alguma ajuda profissional no ano anterior – entre crianças, 50%; entre os adultos com problema mental grave, apenas cerca de 60% receberam atendimento profissional. A chance cai à metade para latinos e negros, e a 1/3 para orientais.

Apesar de existirem vários tratamentos eficazes para melhorar ou recuperar totalmente as pessoas de seus sintomas ou adoecimentos, há em geral uma grande demora entre o início do sofrimento e a busca da ajuda efetiva. Pela falta de seguirem um tratamento adequado, os EUA estimam uma perda anual de 193,2 bilhões anuais em rendimentos!Pois a doença mental custa muito caro para as pessoas, em perdas de produtividade e de oportunidade, e, portanto, para a sociedade como um todo!

A terceira maior causa de internações hospitalares nos EUA já são as depressões! Adultos, nos EUA, que vivem com condições mentais importantes, vivem em média 25anos a menos! Comumente por doenças médicas em geral tratáveis. Nos EUA, suicídio é a 10ª causa de mortes em geral, e a 2ª entre pessoas entre 10 e 34anos, quase sempre associada a algum tipo de doença mental tratável – 90%! Também muito comum em idosos!

Ou seja, a doença mental destrói namoros, casamentos e amizades, gera prejuízos, perdas de emprego e perdas de oportunidade, leva a doenças físicas e impede seu tratamento, leva a mortes e perdas amplamente evitáveis. Porque esperar para buscar ajuda?

O melhor momento é sempre “o quanto antes”. Quanto mais complicações sociais se acumulam em decorrência das incapacidades e inabilidades decorrentes da doença mental, maior a frustração, menor é a auto-estima, maior a desesperança, e mais difícil se torna tratar os problemas.

Dr. Sander Fridman – neuropsiquiatria, psicanálise cognitivista, psiquiatria legal.

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