Para o escritor Juremir Machado Feira do Livro de Osório é “trincheira na luta pela disseminação de ideias”!

Começa no próximo dia 26 e vai até o dia 2 de dezembro a 33ª Feira do Livro de Osório, com o tema “A literatura na diversidade e inclusão social”, no Largo dos Estudantes Sônia Chemale. O evento que reúne além de nove bancas de livreiros, a patrona escritora e historiadora Marina Raymundo, o homenageado poeta Delalves Costa e a xerife professora Elena Chemale, irá trazer para a cidade, rodas de conversa, bate papos, palestras, dança, música e muitas manifestações culturais.

Dentre os nomes que estarão fazendo parte da Feira, é destaque nacional, o jornalista e escritor gaúcho Juremir Machado. Referência quando o assunto é Comunição, ele falou aos osorienses sobre a importância de eventos como a Feira de Osório e sobre o tema de sua palestra no evento , no dia 30. Confira a conversa com o escritor e jornalista:

– Qual a importância de participar de eventos no interior, falando sobre jornalismo e literatura?

Literatura no Brasil é guerra de guerrilha. Cada Feira é uma trincheira, um lugar de combate, de disseminação de ideias, de resistência, um lugar único de propagação de um imaginário, a oportunidade de continuar existindo. Feiras de Livro são espaço de conservação de uma espécie ameaçada de extinção, o livro.

– O tema de sua palestra, em Osório, “Jornalismo e literatura em tempos de imagem” aborda a mudança causada pelas redes sociais?

Essa é a ideia. Há espaço para textos num mundo dominado pela imagem? O livro tornou-se uma “tecnologia” superada. Um texto de dois parágrafos no facebook é rotulado de textão. O que isso significa. Caminhos para a fim do livro e da escrita? Viveremos num mundo de som e imagens, mas sem a textualidade? Sem ser apocalíptico, o que isso significa, impõe, determina, transforma? Estamos uma transição, ainda não sabemos claramente o que virá. Qual será a relação de quem nasce hoje com a palavra escrita dentro de 20 anos?

– Seu livro “Raízes do conservadorismo brasileiro” é um importante resgate histórico e muito pertinente. Como observa essa volta de olhares conservadores de nosso povo?

Estamos num momento de retorno do conservadorismo. O reacionarismo saiu do armário. O racismo, a homofobia, o machismo e o elitismo exibem-se em praça pública sem o menor constrangimento. Meu livro examina como se constitui o nosso conservadorismo ao longo de quase quatro séculos de escravidão. Somos o resultado daquilo que semeamos no passado. Não há determinismo. Podemos nos transformar. Mas ainda não o fizemos. As poucas tentativas encontram reações violentas como agora.

Conheça Juremir Machado

Juremir Machado da Silva é de Santana do Livramento, graduou-se em História (bacharelado e licenciatura) e em Jornalismo pela PUCRS, onde também fez Especialização em Estilos Jornalísticos. Obteve o Diploma de Estudos Aprofundados e o Doutorado em Sociologia na Universidade Paris V, Sorbonne, onde também fez pós-doutorado. Como jornalista, foi correspondente internacional de Zero Hora em Paris, trabalhou na IstoÉ e colaborou com a Folha de S. Paulo.

Atua como colunista do Correio do Povo desde o ano 2000. Tem 27 livros individuais publicados, entre os quais Getúlio, 1930, Águas da revolução, Solo, Vozes da Legalidade e História regional da infâmia, o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras. Coordena o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS. Apresenta diariamente, ao lado de Taline Oppitz, o programa Esfera Pública, das 13 às 14 horas, na Rádio Guaíba.

Juremir Machado estará na Feira de Osório no dia 30, às 20h, palestrando sobre: “ Jornalismo e literatura em tempos de imagem” .

Camila Knack

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