Pós-greve – Jayme José de Oliveira

Os caminhoneiros deram uma demonstração de força, paralisaram o país e conseguiram o atendimento de suas demandas, especialmente a redução de R$ 0,46 no litro do diesel por dois meses. Deveriam ter suspendido os bloqueios mas isso não ocorreu, com prejuízos para o abastecimento de gêneros de primeira necessidade.

A conta já começou a chegar para os produtores rurais, industriais e comerciantes. Chegará salgada para todos os consumidores nos próximos meses, na forma de aumento de preços e recrudescimento da inflação. Não se descarta o aumento do desemprego.

Imagens chocantes do descarte de milhões de litros de leite, suínos e aves morrendo de fome, verduras e frutas apodrecendo configuram imagens dantescas. Naturovos, de Salvador do Sul, vai doar 150 mil aves para evitar que morram de fome, sofrendo demais. (João Carlos Müller, proprietário)

Em Marques de Souza, no Vale do Taquari, o suinocultor Lucas Wessel acorda de noite com os 1.700 porcos gritando de fome, brigando e se mordendo. É triste.

O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador afirma que estamos no limite para acontecer o canibalismo nas granjas, por falta de alimento.

A Associação Gaúcha de Agricultura (Asgav) estima a morte de 2 milhões de pintos e 300 milaves de corte e postura.

Um detalhe que não pode ser relevado é o fato de não se ouvir notícia de nenhuma manifestação de protesto da Sociedade Protetora dos Animais.

O cenário radicalizado está levando entidades a retirar o apoio à greve dos caminhoneiros. A Cooperativa Trítícola Regional Sãoluizense e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) retiraram o suporte após o clamor por intervenção militar.

Integrantes de facções extremistas se infiltraram no seio do movimento em defesa de interesses escusos, claros e insofismáveis. E não são assumidos por direita ou esquerda, infelizmente, e isso é o que assusta, mas por AMBAS. Mais visíveis e ostensivas, faixas solicitando INTERVENÇÃO MILITAR são exibidas desavergonhadamente. Ao que parece não são mais lembrados os “anos de chumbo” que tão amargas consequências protagonizaram. Não esqueçamos que, em 1964, a alternativa apresentada era uma ditadura de esquerda ao estilo da cubana. Acessem o link onde o ex-guerrilheiroFernando Gabeira declara explicitamente o que era planejado pelos grupos armados: https://www.youtube.com/watch?v=8VtXhnxWHC0

Quando as negociações em Brasília indicavam o consenso entre o governo federal e as associações que representam os caminhoneiros, por todo o Brasil há relatos de caminhoneiros que estão sendo impedidos de retornar ao trabalho. O descarrilamento de um trem que transportava diesel, em Bauru-SP, sabotagem nos freios de caminhões-tanques na refinaria Alberto Pasqualini e nas Mangueiras em Santa Cruz, com o consequente derrame do diesel na rodovia, são exemplos de terrorismo explícito. Requerem punição exemplar.

A POPULAÇÃO CLAMA POR PAZ A FIM DE VOLTAR A SEUS LABORES.

Relembremos que o inciso XV do art. 5º da Constituição assim dispõe: “É livre a locomoção no Território Nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”. É o chamado direito de ir e vir. Como todos os direitos, tem, inicialmente, como direito natural o direito do outro. Não pode alguém, com base no direito de ir e vir e permanecer, por exemplo, obstar a passagem de quem também esteja exercendo o direito de locomoção.

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

Comentários

Comentários