Psicopatas 3 – Jayme José de Oliveira

Jayme José de Oliveira

Quando um colunista publica um texto que possa provocar controvérsias, expõe-se à possibilidade de receber ora contestações, ora apoios, faz parte do contexto. As manifestações devem ser analisadas e, certamente, oferecem subsídios preciosos para avaliar a repercussão do escrito. A coluna “Psicopatas” estimulou o envio por parte de uma leitora opiniões de renomados especialistas, fato que agradeço e me permito utilizar na coluna que segue.

Detenho-me em particular em Júlia Bárány, psicanalista formada pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa e Renato M.E. Sabbatini, PhD, neurocientista e especialista em Informática Biomédica, doutor pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado no Instituto de Psiquiatria Max Planck em Munique, na Alemanha. “A maioria das pessoas é incapaz de entender como uma personalidade antissocial e criminosa é possível em um ser humano como nós”.

Os sociopatas (designação preferida por especialistas em vez de psicopatas) são caracterizados por uma falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles exibem egocentrismo patológico, ausência de remorso, ansiedade e sentimento de culpa, são manipuladores. Mentem sem qualquer vergonha, roubam, abusam, trapaceiam. O pesquisador canadense Robert Hare, um dos maiores especialistas do mundo em sociopatia criminosa os caracteriza como predadores que usam charme e manipulação para controlar os outros e para satisfazer suas próprias necessidades. Em sua falta de consciência e de sentimento pelos outros tomam friamente aquilo que querem, violando as normas sociais sem o menor senso de culpa ou arrependimento.

Os sociopatas são incapazes de aprender com a punição e de modificar seus comportamentos. Quando descobrem que seu comportamento não é tolerado pela sociedade reagem escondendo, mas nunca o suprimindo, disfarçando de forma inteligente as suas características de personalidade. Por isso os psiquiatras usaram no passado o termo insanidade para caracterizar esta psicopatologia. Um sociopata clássico foi Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814), um nobre francês cujas preferências sexuais perversas originaram o termo sadismo.

O indivíduo sociopata geralmente exibe um charme envolvente para as outras pessoas e tem uma inteligência acima da média. Não mostra sintomas de outras doenças mentais tais como neuroses, alucinações, delírios ou psicoses. Eles podem ter um comportamento tranquilo no relacionamento normal e têm uma considerável presença social e boa fluência verbal. Em alguns casos são os líderes de seus grupos.

Poucas pessoas, mesmo após um contato duradouro comsociopatas são capazes de imaginar o seu lado negro, a maioria deles é capaz de ocultar com sucesso durante a vida inteira, levando uma dupla existência.

O mais assustador é o fato que entre 1 e 4% da população é sociopata em maior ou menor escala. Cada um de nós conhece alguém que se ajusta a esta descrição. Políticos corruptos e cínicos, que sobem rapidamente na carreira, líderes autoritários, etc., estão entre eles. Uma característica comum é que eles se engajam sistematicamente na manipulação dos outros para ganhos pessoais. O Marquês de Sade diz que tudo é justificado quando o objetivo é a gratificação de seus sentidos e que a ele é permitido usar outros seres humanos da forma como desejar para alcançar aquele propósito.

Mutatis mutandis, substituindo “gratificação dos sentidos”por “consecução dos objetivos”, podemos incluir no rol políticos que não consideram infamantes as torpes manobras que realizam. Quando descobertos não se acanham em tentar desconstruir inclusive a honorabilidade dos que ousam denunciar as tramoias tão meticulosamente urdidas. Exemplos recentes abundam e são do conhecimento geral. Aninhados em siglas diferentes que, aparentemente são rivais e disputam as mesmas posições, mas, na realidade, quando lhes é conveniente constroem as mais estapafúrdias coligações. Na realidade, são vinhos (azedos) da mesma pipa. NÃO TEM ANJINHOS NA PARADA. Desse conúbio indecente resulta, fatalmente, uma miscigenação escandalosa. Benjamim Franklin definiu essa promiscuidade magistralmente com um pensamento: “QUEM DORME COM CÃES ACORDA COM PULGAS”. Haja inseticida para desinfestar.Além disso, agindo em situações de stress, tais como guerras, pobreza geral, quebra da economia, brigas políticas, etc., os sociopatas podem adquirir o status de líderes regionais ou nacionais, tais como Adolf Hitler, Stalin, Saddam Hussein, Idi Amin Dada, etc. Quando alcançam posições de poder podem causar mais danos do que como indivíduos.

A psicopatia é um estado no qual existe excesso de razão e ausência de emoção. O funcionamento alterado de uma área específica do cérebro impede as emoções em pessoas com psicopatia.

“É comum que se confunda o psicopata, que tem uma psicopatia, com psicótico, que tem psicose, são duas alterações diferentes. Psicose é uma doença mental que inclui problemas no contato com a realidade, distorções, alucinações e manias. Já a psicopatia é um distúrbio de personalidade que não tem problema algum na relação com a realidade, ele não alucina, pelo contrário, domina muito bem a realidade”. (Júlia Bárány – psicanalista) Segundo a psicanalista, um psicopata sabe que é diferente, pois se sente superior aos outros. Por serem incapazes de sentir emoções, buscam prazer no sofrimento do outro.

Como remate, posso assegurar que todas as referências que pude pesquisar convergem para pontos básicos e não há discrepâncias entre elas. Conhecendo as artimanhas subjacentes à personalidade dos psicopatas, cumpre não nos deixarmos iludir. Se existem psicopatas aptos a nos convencer e aliciar, também há candidatos à liderança merecedores do nosso apoio, cabe a nós separar o joio do trigo.

7 CARACTERÍSTICAS DOS PSICOPATAS – 6min27seg https://www.youtube.com/watch?v=SFpIa_gFpsE

Jayme José de Oliveira cdjaymejo@gmail.com Cirurgião-dentista aposentado

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