Salvador da pátria, nunca mais – Jayme José

“A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO É PARA SERVIR PRIMEIRO OS GOVERNANTES, MAS, SIM, AOS GOVERNADOS”. (Steven Spielberg).

O ser humano se move pelo medo ou pela ganância. O Estado deve impedir a exploração de uns por outros. A ganância não deve se sobrepor, pelo medo que provoca, ainda mais quando é amparada pelo aparato, seja qual for.

A renúncia parcial da liberdade individual em favor de um soberano artificial, o Estado, concede a este o poder e o ônus para garantir a todos o bem maior, a vida e a existência da civilização por meio de leis justas e equitativas. A preservação da vida, acima de tudo, da propriedade privada e do patrimônio secundariamente (são corolários interligados).

No Brasil, contrariando esses princípios, a exploração da população pela classe política é contínua e descarada. Lideranças despreparadas e inescrupulosas concentram-se em defender interesses particulares e imediatos; serviços públicos assoberbados pela demanda universal são relegados a um segundo plano e não é por outro motivo que deixam muito a desejar. Todo o esforço despendido pela coletividade escoa pelo ralo e não havendo reciprocidade, políticos, autoridades em geral e mesmo setores do judiciário são levados de roldão pelo descrédito generalizado. Pensando bem, nem figuras carismáticas que afirmam estarem representando os anseios da população sobrevivem no respeito popular. Acabam chafurdando no opróbio.

Quando anos consecutivos apresentam um quadro desolador de truculência, soberba, desperdício, corrupção (ativa ou passiva), um país que poderia emergir como paradigma sucumbe, lamentavelmente, no lodaçal generalizado. O presente não configura tranquilidade e o futuro se apresenta sombrio, desesperançado.

E NÃO SERÁ UM “SALVADOR DA PÁTRIA” QUE IRÁ REALINHAR O COMBOIO NOS TRILHOS. Já nos apegamos a vários e os resultados foram desastrosos. Não devemos, não podemos ressuscitar falastrões se quisermos que os nossos filhos e os filhos de nossos filhos tenham uma vida digna de ser vivida.

Jânio Quadros com sua “vassourinha” (“Varre, varre vassourinha! Varre, varre a bandalheira! Que o povo já tá cansado de sofrer dessa maneira”) prometia varrer a corrupção. Fê-lo… para debaixo do tapete e renunciou após uma tentativa fracassada de golpe para se eternizar. Outros, não é necessário nominar, nos deixaram amargas recordações. E continuam agindo tanto nos bastidores como no proscênio.

Bocage, poeta português, com seu poema “Nariz”, traz-me à lembrança o carpinteiro Gepeto e Pinóquio sua criatura. O boneco tinha um nariz que crescia no ritmo de suas mentiras e era repreendido pelo “Grilo Falante”, sua consciência.

Nariz, nariz, e nariz,

Nariz, que nunca se acaba;

Nariz, que se ele desaba,

Fará o mundo infeliz;

Nariz, que Newton não quis;

Descrever-lhe a diagonal;

Nariz de massa infernal,

Que, se o cálculo não erra,

Posto entre o Sol e a Terra,

Faria eclipse total! (Bocage).

Jayme José de Oliveira

cdjaymejo@gmail.com

Cirurgião-dentista aposentado

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