O primeiro domingo depois de Pentecostes a Igreja Católica o dedica à Santíssima Trindade. Neste dia somos chamados a contemplarmos o nosso Deus, que se manifestou como Pai, Filho e Espírito Santo. Assim é o Deus dos cristãos: um só Deus em três Pessoas. A comunhão de vida entre eles é tal que formam uma unidade. A comunidade perfeita e modelo para toda forma de convivência.

Como isso pode se dar é um tanto misterioso, mas não impossível de entender. Se nos deixamos iluminar pela Sagrada Escritura, descobrimos que Deus age como Pai criador; comunica com sinais e prodígios; fala pela boca dos profetas; escuta o grito do seu povo e desce para libertá-lo; caminha com ele e promete um Messias que vai restabelecer a unidade e a paz entre todos os povos.

Jesus fala muitas vezes e de muitas formas que veio do Pai, que sua missão é fazer a vontade do Pai, que tudo o que faz e ensina é o que viu o Pai fazer e dele tudo aprendeu. Deixa claro aos discípulos que depois de redimir a humanidade, reconciliando-a com o Pai, deve voltar junto d’Ele, caso contrário o Espírito Santo não virá para ajudá-los a entender tudo o que lhes ensinou.

O Espírito Santo foi derramado sobre os apóstolos reunidos com Maria no cenáculo, transformando-os em testemunhas da Ressurreição de Jesus Salvador.

Para nós cristãos, acostumados a nos benzer em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, o Mistério Trinitário torna-se tão familiar que corremos o risco de cair na formalidade e perdermos o sentido profundo que carrega. A Trindade permanece sempre a fonte e o fundamente da vida cristã.

Na compreensão do apostolo João: “Deus é Amor”. O batismo nos introduz no mistério da Trindade, no Amor de Deus derramado em nossos corações.

Se Deus é assim, perfeita unidade na diversidade das três pessoas, somos chamados a vivermos de forma semelhante: um só corpo om muitos membros, mas animado por único e mesmo espírito: o Espírito Santo de Deus.

Nada mais contraditório que uma comunidade cristã dividida. São João, o discípulo amado, revela que jamais alguém viu a Deus, mas se nos amarmos uns aos outros, Deus aí está. A comunidade unida torna Deus visível, quando dividida desfigura o seu rosto, porque “Deus é amor”.

Que a contemplação deste amável Mistério nos abra sempre mais ao transcendente e nos aproxima das pessoas como irmãos e irmãs.

Para refletir:

Qual a minha reação quando ouço falar que “Deus é amor”? é assim que o sinto e experimento?

O Deus dos cristãos é assim ‘um só Deus em três pessoas distintas’ acolho isso com serenidade na fé?

Quanto fazes o sinal da cruz em teu corpo invocando a Trindade é a ela que lhe abres o coração e te confias?

Textos bíblicos: Pr 8, 22-31; Rm 5,1-5; Jo 16,12-15; Sl 8.

Dom Jaime Pedro Kohl

Bispo de Osório

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