Sempre haverá um amanhã – Jayme José de Oliveira

Nem Hannah Arendt com sua tese: “A banalidade do mal” encontraria argumentos para um olhar minimamente complacente a tantos desvarios que nos impingem diuturnamente. Um mal com dimensões tais, mesmo compartilhado por uma classe inteira, nunca há de ser banal. É tão execrável que contraria os processos civilizatórios no seu âmago.

Como um cristal estilhaçado, mesmo que recolhidos e colados todos os fragmentos, as gretas permanecem visíveis até aos observadores mais tolerantes. O estado democrático de direito não pode fazer tais concessões ao atraso ético de seus usurpadores, por mais influentes, poderosos e aparentemente inatingíveis que sejam.

Enquanto a população vislumbrar uma luz no fim do túnel, acreditar que os desvarios que no momento regem os destinos da nação são transitórios lutará e tenderá crer que há um futuro diferente possível. Assim, aliás, ocorreu quando o PT levantou a bandeira da ética e a promessa que, ao ascender ao poder promoveria uma “faxina” e poderíamos reavivar a confiança nos detentores do poder. Em brevíssimo lapso de tempo, chafurdou na mesma lama que antes condenava e cometeu um crime maior que o dos antecessores. Extinguiu o que restava de esperança ao, infelizmente, sinalizar: SOMOS TODOS “IGUAIS”.

No último pleito eleitoral, o Brasil resolveu redirecionar suas esperanças. Parece que, mais uma vez, a PAZ sonhada foi postergada e as diferenças gritantes ressoaram. Em vez de olhar para o futuro, os empossados insistem em revolver o passado e… continuamos patinando: SOMOS TODOS “IGUAIS”.

Quando o povo se desespera, reage de maneira impulsiva, incontrolável e não pode ser contido. Na Revolução Francesa, a guilhotina simbolizou a catarse. Cabeças rolaram. Inclusive de líderes revolucionários. A semente da Democracia germinou num mar de sangue e podemos dizer que gestou a sociedade em que vivemos. Mas, atente, o povo é mais sábio do que se supõe e, como a Fênix, renasce das cinzas. Assim, não fosse há muito, a humanidade teria se extinguido como marco civilizatório.

O mundo mudou, a mentalidade pode ter mudado, mas o que Voltaire já defendia: o direito de todo o homem expressar livremente suas opiniões e crenças, continua tão atual como quando foi escrito há mais de 250 anos.

“Não é mais aos homens quem eu me dirijo. É para Ti, Deus de todos os seres, de todos os mundos, de todos os tempos: que os erros agarrados à nossa natureza não sejam motivo de nossas calamidades. Tu não nos deste coração para odiarmos, nem mãos para nos enforcarmos.

Faça com que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e passageira. Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem nossos corpos, entre nossos costumes ridículos, entre nossas leis imperfeitas e nossas opiniões insensatas não sejam sinais de ódio e perseguição.Que aqueles que acendem velas em pleno dia para Te celebrar, suportem os que se contentam com a luz do sol.

Que os que cobrem suas roupas com um manto branco para dizer que é preciso Te amar, a mesma coisa não detestem os que dizem sob um manto negro.

Que aqueles que dominam uma pequena parte desse mundo e que possuem algum dinheiro, desfrutem sem orgulho do que chamam poder e riqueza e que os outros não os vejam com inveja, mesmo porque, Tu sabes que não há nessas vaidades nem o que invejar nem do que se orgulhar.Que eles tenham horror à tirania exercida sobre as almas, como também execrem os que exploram a força do trabalho. Se os flagelos da guerra são inevitáveis, não nos violentemos em nome da paz. Que possam todos os homens se lembrar que são irmãos!”

E como fecho de ouro, seu maior pensamento:

“DISCORDO DO QUE VOCÊ DIZ, MAS DEFENDEREI ATÉ A MORTE O SEU DIREITO DE DIZÊ-LO.”

Se o congraçamento universal aparenta ser um sonho inatingível, a curto prazo, sempre nos resta a possibilidade de apreciar outras performances que não se deixam conspurcar pelo nosso viés menos digno. A ARTE, assim mesmo, em letras maiúsculas, não se permite limites geográficos, sequer temporais, pois é ETERNA. Anexarei, sempre que possível, para nosso enlevo, obras-primas. O BALANÇO (1876) de RENOIR abre o rol.

 

Jayme José de Oliveira
cdjaymejo@gmail.com
Cirurgião-dentista aposentado

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