SIMERS constata descaso com a saúde em Capão da Canoa e Xangri-Lá

Demanda quadruplica. Foto: Daniela Calleya Barcellos/Simers
Demanda quadruplica. Foto: Daniela Calleya Barcellos/Simers

Unidade de Pronto Atendimento (UPA) fechada, falta de manutenção em postos de saúde e sobrecarga de trabalho dos médicos são realidade em Capão da Canoa e Xangri-Lá, no Litoral Norte.

Durante esta sexta-feira (17/02), o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) realizou a Operação De Olho na Saúde no Verão 2017 para verificar as condições de atendimento e de trabalho existentes nas unidades de saúde das duas praias, em época na qual a população chega a triplicar.

Em Capão da Canoa, os problemas do Hospital Santa Luzia ficam por conta da falta de repasses do governo do Estado, que totaliza R$ 3 milhões em atrasos, o que fez com que a instituição passasse a depender da filantropia para continuar funcionando. No local, os médicos convivem com a sobrecarga de trabalho, já que o número de atendimentos quase quadruplica no verão, passando dos 3,5 mil para 13 mil mensais.

No Posto 24 Horas, que aguarda o repasse de R$ 1,6 milhão do governo estadual, os problemas envolvem a falta de medicamentos, de conservação do prédio, como fiação elétrica exposta, inexistência de triagem dos pacientes e falta de médicos. “Com a falta de triagem, os médicos, que deveriam atender somente urgência e emergência, acabam atendendo todos os casos, como dar receitas e avaliar exames, resultando em sobrecarga de trabalho”, avalia a diretora do SIMERS Gisele Lobato.

Durante as vistorias, ficou constatado que existe uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) recém-construída, mas que continua com as portas fechadas, o que evidencia o descaso com a saúde da população de Capão da Canoa. Ocupando um terreno de 2.600 metros quadrados e uma área construída de 1.070 metros quadrados, o prédio está pronto, mas deve ser inaugurado somente no final de 2017.

UPA Capão da Canoa pronta e fechada Crédito foto Daniela Calleya Barcellos / Divulgação Simers
UPA pronta e fechada. Foto Daniela Calleya Barcellos/Simers

“É uma estrutura maravilhosa que está ociosa por falta de verba, segundo a prefeitura. Isso intriga, pois quando há o repasse para construção, é enviada também a verba destinada à manutenção”, questiona Gisele, adiantando que vai se reunir com o prefeito Amauri Magnus Germano para esclarecer a situação. Outro serviço que preocupa o Sindicato é a Unidade Materno Infantil, que após o início das obras para reformas, passou a realizar somente vacinação. Os atendimentos foram transferidos para o Posto de Saúde da Família Santa Luzia, que hoje conta somente com um médico para atender toda a demanda da população.

Água parada Crédito foto Daniela Calleya Barcellos / Divulgação Simers
Água parada em posto. Foto: Daniela Calleya Barcellos/Simers


Em Xangri-Lá, a equipe do SIMERS visitou o Posto 24 Horas e o Posto de Estratégia de Saúde da Família Centro, no qual foi verificada a falta de vacinas BCG, de febre amarela e antitetânica. A existência de uma piscina sem água tratada foi o ponto que mereceu atenção, já que é um foco para a contaminação de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, como a dengue e o zika vírus.

“Após verificarmos a situação de cada unidade, o SIMERS vai notificar os órgãos competentes para que sejam feitas as melhorias necessárias. Estamos satisfeitos com a operação, que busca defender não só os médicos, mas principalmente os direitos da população por um atendimento de saúde de qualidade”, destacou a diretora do Sindicato Médico.

Simers

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