Um exemplo a ser imitado – Jayme José de Oliveira

A barbárie generalizada, protagonizada mais uma vez pelo EI (Exército Islâmico) no Domingo de Ramos, no Egito:duas explosões em igrejas coptas (cristãs) mataram pelo menos 43 pessoas e deixaram mais de cem feridos. Os alvos foram a igreja de Mar Girgis, na cidade de Tanta e a catedral de São Marcos em Alexandria. O Papa Tawadros, líder da Igreja Ortodoxa Copta estava nesse local, mas não se feriu.Este foi o último ato de barbarismo patrocinado pelo EI e, certamente, não será o derradeiro.

Agora, comparem esse procedimento com o contraponto proporcionado pelos esforços do Papa Francisco, desde o início do seu pontificado:

Quando da 38ª Jornada da Juventude do Rio de Janeiro, reuniu-se com o rabino argentino Abraham Skolka. Na sua viagem à Palestina, estabeleceu encontros com Shimon Peres (1923-2016), político israelense que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1964, Muahmmad Abbas, presidente da Autoridade Nacional da Palestina e o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla.

São do Papa Francisco as palavras: “É preciso mais coragem para a paz que para a guerra”.

Cerimônia da páscoa judaica será realizada na Catedral de Porto Alegre

Uma ceia de páscoa judaica – o sedes de Pessach – será realizada pela primeira vez dentro de uma igreja católica em Porto Alegre. O evento acontece no próximo dia 11 de abril, e deve reunir 300 pessoas de ambas religiões.

“É provavelmente o primeiro no mundo, já que não se tem registro de nada semelhante”, diz ao G1 o rabino da Sinagoga Sibra, Guershon Kwasniewski.

Conforme o rabino, a ideia surgiu a partir de uma conversa com o bispo auxiliar Dom Leomar Burstolin, como forma de estender o diálogo para as comunidades. “Será um momento de profunda espiritualidade em que iremos transitar pelos rituais”, explicou Kwasniewski.

O arcebispo de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, diz que a iniciativa está alinhada com o pensamento de união propagado pelo Papa Francisco, “construir pontes, espaços de aproximação e diálogo, e também de fé”, afirma.

O ritual, que terá a realização dos 15 passos da liturgia da religião judaica e alimentação típica da cerimônia, é aberto ao público. No entanto, é necessário adquirir ingressos por conta da refeição. Maiores informações podem ser obtidas por meio do site da arquidiocese ou pelo telefone 51 3331-8133.

Enquanto notícias de intolerância e violência crescem e atacam a pluralidade cultural e religiosa atual, em Porto Alegre a Arquidiocese e a Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra) aproximam-se para desenvolver a cultura do encontro. Nos passos de São João Paulo II, do Papa Bento XVI e do Papa Francisco, a Igreja Católica busca concretizar o ensinamento da NostraAetate, a declaração do Concílio Vaticano II que sugere o diálogo fraterno com os judeus. A Ceia Pascal Judaica, tradicionalmente realizada nas sinagogas, terá como cenário neste ano o subsolo da Catedral Metropolitana de Porto Alegre, que serve de espaço de eventos culturais e sociais.

A celebração chamada de Pêssach, que recorda o êxodo do Egito, será no dia 11 de abril, às 19h30m. Os ingressos custam R$ 90 (R$ 70 para crianças de quatro a 12 anos) e já podem ser adquiridos na Cúria Metropolitana e na sede da Sibra (Rua Mariante 772, bairro Rio Branco). Cerca de 250 pessoas são esperadas para o jantar, que seguirá todos os rituais tradicionais, com comida típica e cânticos em hebraico e aramaico. “Este é um claro exemplo do que significa, na prática, o diálogo inter-religioso que existe em Porto Alegre. São fatos como esse que marcam, aproximam e que criam respeito entre as religiões”, destaca o líder religioso da sinagoga Sibra, Rabino Guershon Kwasniewski.

A iniciativa surgiu diante da proposta de se promover um jantar da Páscoa judaica para apresentar o ritual aos cristãos da Arquidiocese. A ceia é um tributo à liberdade, afirma o rabino. Ao ouvir a narrativa do Êxodo, os judeus se ligam aos antepassados e refletem sobre a importância de viver em liberdade. “Devemos sentir como se nós mesmos tivéssemos saído do Egito, ou seja, devemos nos colocar no lugar do outro. Entendendo o que foi a escravidão, podemos desfrutar ainda mais a liberdade”, pondera Kwasniewski, ressaltando que esse não é apenas um valor judaico, mas universal.

 Para o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler, a realização da Páscoa judaica na Catedral Metropolitana vai ao encontro do pedido do Papa Francisco. “Estamos construindo pontes, criando espaços de aproximação, de diálogo e também de fé”, enfatiza.

 Kwasniewski avalia que o diálogo inter-religioso é uma realidade relativamente nova dentro da histórica. Ele observa que iniciativas como o Concílio Vaticano II e a declaração NostraAetate, que aproximaram o mundo católico às outras crenças, têm apenas 50 anos. “Avançamos muito e esses exemplos (da celebração da Páscoa Judaica num espaço destinado a eventos católicos) são uma forma de levar esse diálogo para o povo, de sair das salas e mostrar publicamente que esse diálogo é possível”, afirma o líder da Sibra, ressaltando que à medida em que se que caminha, se gera confiança. “Essa confiança derruba preconceitos”, argumenta.

QUE EXEMPLOS DIGNIFICANTES COMO ESTE, FRUTIFIQUEM.

Para a grande família representada pelos leitores e responsáveis pela edição de “Litoralmania”:

Jayme José de Oliveira cdjaymejo@gmail.com Cirurgião-dentista aposentado

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