Erner Machado

Em viagem, pelo interior do Estado, me encontrei na necessidade fazer um saque na Caixa Econômica Federal.

Dirigi-me à agencia e para minha angustia as filas dobravam o quarteirão o que me levou a não esperar, tendo em vista a minha pouca disponibilidade de tempo.
Antigo bancário fiquei pensando, com uma certa mágoa, no que se transformou o serviço bancário nacional e em que lugar se encontra ,o cliente .que há muito tempo atrás era a razão do sistema bancário.

Fiquei pensando no que fazer pois eu só tinha disponibilidade financeira na Caixa e então ocorreu-me a ideia de ir a uma lotérica, onde, pensava eu poderia ser atendido mais rapidamente.

Depois de pedir informações de onde era a lotérica mais próxima, consegui a localização e em lá chegando constatei que a fila era , no mínimo, um décimo da que existia na agencia da caixa da localidade.

Não tive dúvidas em ocupar o último lugar e esperar a minha vez…

Não utilizei o caixa preferencial, pois o mesmo tinha um fila maior que os convencionais com uma diferença que, nestes, tinha três atendentes.

Deduzi, corretamente, que levaria um terço do tempo para ser atendido.

E assim, foi. Rapidamente chegou a minha vez.

Ao mencionar a operação de saque que precisava fazer a atendente, gentilmente, solicitou-me um documento de identidade e pediu que eu inserisse o meu cartão magnético no terminal eletrônico que me foi indicado.

Concluída a operação a moça me devolveu o meu documento de identidade e começou a separar e contar as notas de cem e cinquenta reais que correspondiam ao valor sacado por mim.

Pensei que ela , após contar as cédulas, iria entregar-me o valor total…
Fiquei esperando e vi que ela começou a anotar, no documento correspondente ao meu saque os números das séries das notas de cem e cinquenta reais.

Como velho bancário, nunca tinha vista tal rotina e diante do ineditismo deste procedimento não resisti a tentação de, educadamente, perguntar a razão do mesmo.

Ao moça ao me responder disse que fazia isto, por determinação dos donos da Lotérica e que tal medida visava resguardar a empresa dos clientes que, em sacando, no caixa, recebendo notas de cem e cinquenta reais, retornam, logo após ao saque mostrando uma nota falsa e dizendo que tinha recebido, momentos antes, da moça que os atendeu.

Me informou ainda, que este fato já tinha acontecido, no mínimo cinco vezes e que a lotérica teve que devolver o valor correspondente a nota falsa e que para reparar o prejuízo, foi uma burocracia muito grande.

E esta medida de anotar a séries de todas a notas, no documento de saque individual, destina-se a fazer prova ao cliente que aquela nota não fora entregue a ele , pois série mesma, era diferente das que tinham sido objeto de anotação, presenciada pelo mesmo.

A moça me passou o montante sacado. Agradeci e , silenciosamente, retirei-me do local pensando se era possível que tal fato fosse verdade.

Até chegar ao carro, levei mais ou menos cinco minutos, de profunda reflexão sobre o fato que me foi narrado e conclui que o que a moça me relatou, com certeza, era verdade levando em conta o caráter e a conduta do Ser Humano.

É lamentável…. mas é verdade.

Admito isto com um profunda dor, com uma profunda tristeza, com uma profunda desilusão mas tenho que admitir que é verdade…

(da série: AONDE CHEGAMOS)

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