Vida consagrada, vida bonita! – Dom Jaime Pedro Kohl

Depois de dar-nos conta da necessidade de padres santos e pais presentes, nesta semana é a vez dos consagrados e consagradas chamar nossa atenção. Provavelmente, não todos concordam comigo, mas não importa, para mim a Vida Consagrada, seja a masculina, seja a feminina, é vida bonita.

A Vida Consagrada mediante os votos de pobreza, castidade e obediência por toda a vida e para sempre é algo realmente encantador que produz uma beleza que não dá para descrever, somente perceptível ao olhar puro e atento, contemplativo e aberto à verdade.

Não é uma beleza estética segundo os padrões da moda do mercado consumista, mas na linha do “belo”, daquela beleza que vem do coração puro e genuíno, que se depreende no olhar das almas sensíveis, carregadas de humanidade e que refletem o divino.

 A vida do jovem ou da jovem oferecida no serviço aos irmãos e do culto a Deus não é para todos, mas grande graça para quem sente-se chamado a esse seguimento radical de Jesus, para sua família e comunidade e uma benção para os destinatários do seu serviço.  O mistério desta vocação só é compreendida na lógica do amor e da fé.

         Na lógica do mundo utilitarista e consumista isso beira a covardia, a estupidez. O “mundo” não acredita que isso seja possível e, muito menos, que isso faça uma pessoa feliz e realizada.

         Uma ideia errada de liberdade leva pais e familiares a acreditarem que a vida consagrada seja cerceadora de direitos. Mas na verdade não sabem que é fonte de verdadeira liberdade.

Devemos reconhecer que as vocações, especialmente femininas, estão diminuindo, mas não é porque Deus não esteja chamando, mas, sim, porque falta um clima que favorece a escuta e uma educação para os valores espirituais e religiosos.

         É difícil aos jovens de hoje, condicionados por visões incorretas, optar por uma vida de total consagração, contudo não são menos generosos do que ontem.

         Não é de estranhar a reação de jovens bons que diante do convite reajam dizendo: “Eu não sou louco!”

Pensando bem, eles têm certa razão. Deixar as benesses e comodidades que o mundo oferece para dedicar-se gratuitamente ao serviço dos outros e à oração, não é para qualquer um. Só para quem é realmente chamado.

Hoje, precisamos de pessoas que embarquem nessa aventura de um amor sem medida, apostando tudo em Deus e no seu Reino.

Quem é que vai?

 É bonito poder responder: “eis-me aqui, manda-me!”

Dom Jaime Pedro Kohl

Bispo de Osório

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