Jorge Vignoli

Thomas Mann disse que o partir parece ser impossível mais do que o regresso. Já o nosso Lupicínio, em resposta à cobrança enérgica da companheira (provavelmente com a clássica pergunta “isso são horas de chegar?”), teria respondido que a maior prova de amor que um homem pode dar a uma mulher é voltar para a casa.

O escritor de “A Montanha Mágica” levou uma vida pessoal ambígua e errante, onde contam duas guerras e que, por tudo, influenciou a obra que deixou. O nosso.

Lupicínio, ao contrário, foi um boêmio inveterado, um apaixonado pela noite e pelas mulheres, e, muitas delas, não corresponderam ao seu amor ardente, razão pela qual – para sorte nossa – inspiraram composições antológicas. Entre um e outro pensamento, ainda que o primeiro traga no seu substrato um Prêmio Nobel, fico com a concepção poética e singela de “voltar” do grande “Lupi”.

Pois, nesse andar, cá estou novamente pela mão do mestre Sérgio Agra, e por pura benesse do Rogério. Que ambos não se arrependam.

O vento forte que soprou no Brasil neste tempo em que eu andei – como diria Stanislaw Ponte Preta – “pela aí”, o presente e o que se avizinha no futuro logo próximo, me traz um sentimento de desesperança e angústia.

Não exatamente por mim, que trago uma caminhada mofina e corroída, mas pelas gerações futuras, particularmente pela juventude, que carece despertar e reconquistar o poder da repulsa.

No hiato da minha saída e o da minha volta, o Brasil passou pela retirada do poder de uma presidente. Um vice que assumiu tropeçando nas próprias pernas. Outro reduzido a apenado, e o atual, que até agora cria mais confusão do que governa.

A continuidade do espaço posto à minha disposição dependerá da paciência do Jornal e dos leitores que, eventualmente, lerem este humilde escrevinhador.

Comentários

Comentários